caminho

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Sigo o cachorro preto e sarnento no longo corredor de lajotas opacas que atravessa a Universidade Nacional. Ninguém vê, mas me fundo ao cachorro de ancas esquálidas, de língua mais opaca que as lajotas, de sarnas rosadas que tingem seu preto mas que não são falhas: porque é exato assim. Assim eu sinto cócegas, sinto minhas quatro patas plantadas a cada pouso das passadas, sinto que atrás de mim vem outro ser, iludido de que, ao me ser, sente minhas mágoas enquanto minha língua pálida aponta o caminho por onde passa o futuro caminho de suas passadas e, na verdade, é como se lambesse antecipada as lajotas que ele pisará ainda na ilusão de ser eu. À margem, atrás da vidraça, um vigia observa. Vê um homem, vê um cão, um homem; sente que houve uma ultrapassagem sub-reptícia. Ou seria a saudade de ver-se na lembrança quando em corredores de lajotas sentia-se seguindo entre as fluências de idas e idas?
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dez.07
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