escravos de jó

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O animal avestruz disse ao animal papagaio, somos parecidos, o animal papagaio respondeu sim e disse ao animal pulga somos amigas companheira?, o animal pulga pulou arrogante em seguida perguntando ao animal búfalo, amarrotamos?, o animal búfalo com todo aquele ser que é animal búfalo amarrou o animal pulga num galho de amoreira azul e, correndo, dirigiu-se ao animal invertebrado e perguntou, você deseja alguma coisa?, o animal invertebrado disse não mas imediatamente vertebrou-se, e com seu osso mais alvo expôs um golpe largo no grosso cocuruto do animal búfalo, – o búfalo morreu –, o animal ex-invertebrado perguntou ao animal osso novíssimo em folha e já tão útil qual que era a dele, pra variar o animal osso vingou-se de seu nascimento repetindo a dose da morte do bronco búfalo com sua segunda e idêntica cacetada no encéfalo-sistema do neovertebrado, – morreu também –, o animal osso, contente, perguntou ao animal chinês, o mosquito, por que aquele seu bico que obviamente picava e comia sangue era tão bonito, mas o animal mosquito não viu nem ouviu o animalosso pronunciar-se, portanto sai assim da história tão velozmente quanto veio, o animal osso pergunta agora ao animal cavalo-árabe que pernas eram aquelas tão embrulhadas em músculo?, o animal cavalo-árabe pára, seus infindos músculos repousam, agora o animal osso pergunta à ponte, rui-não-rui rui-não-rui rui-não-rui?, a animoa ponte padece de solidão, e nada diz, o animalosso dirige-se ao animal simpaticíssimo orangotango, ou seria gorila?, e pergunta qual a cor (sinceramente, aqui entre nós...) qual a cor mais próxima da nossa alegria?, o animal símio responde, segue seu caminho, seu caminho sinuoso, obstaculoso mas lindo que só, e, logo quando o encontra, questiona ao animal jegue (um jegue bege) qual o rumo correto para um dos polos?, animal jegue responde, é só seguir a claridade, obrigado, até logo, animal símio, tropeçando na grande raiz de uma amoreira azul que não notara nunca, vê, percebe sob a sombra, a descansar, o animal baleia, e, desta forma tão bem grada, questiona baleia, você gosta de nozes frescas assim como eu gosto também?, o animal baleia respondeu aquele sorriso tão lindo..., o animal baleia encontrou daí o animal vento e o animal montanha, mas nada de relatável acontece, encontrou ainda o animal seriema, que não tinha nada, nada-nada a ver com a história e estava em paz, encontrou ainda o animal avestruz (esse aliás não encontrou, esse passou ao largo, próximo, mas nem se viram), e encontrou ainda o animal homem. O animal homem não respondeu coisa alguma pois sem nenhuma má intenção não deu tempo de ser feita pergunta, só perguntou ele mesmo (como único impulso possível recebido do curto instante) é o fim da história?, a Baleia ficou com aqueles seus olhos extensos, embotados, emocionada, levitada no tempo.
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dez.93
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