palavra e palavras, país delas

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.......... A palavra
.......... Dispensa enigmas
.......... Pois só é linhas
.......... Precisas
.......... De traços lisos
.......... Que te oferecem
.......... Que te ofereçam
.......... Tuas cifras

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mar.94
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.......... As palavras não acabam nunca, estão em moto-perpétuo, as palavras grãos atmosféricos, cachos colho, cachos colhes, cachos ninguém vê, as palavras repetitivas ao extremo, dos céus, dos infernos, entre as gramas, quase sem gramas, sem peso, tetragamas de terra de água de fogo de vento, as palavras sempre verbos, estojos dínamo magmas do avesso, helicoidal, se envolvendo-se. As palavras adubo-excremento. As palavras firmamento. As palavras lupa, em lente de aumento.
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set.98
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.......... Se o País das Palavras à la conto de fadas existe, na cabeça logo há um bosque em que samambaias saem em S, em que paralelepípedos prensados de pês porejam a via, em que as são águas e ês enguias, em que vês voam. Logo o S tem um gosto, verde, o vôo dos vês balança um ritmo, os pós dos pês se transportam, assim como o pólen nas águas dessedentando-nos e nos ês evidenciam-se as enguias em biociclos. Tudo é vivo, tátil, luminoso, odorífero, palatável, sonoro. Logo o País das Palavras é conto do vigário, o País das Palavras é invenção de iletrados, devia ser no mínimo o que há de mais tangível, um desprezo ao contrário, uma felicidade das boas, seu rei invisível baixa um decreto ou bate o cetro e declara, seremos nomeados algo do tipo O Reino Universal de Todas as Coisas.
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out.99
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