regresso

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.......... Voltamos ao silêncio como eu volto aos porcos
.......... Na mesa envelhecida a marca do copo
.......... O cálice que não se afasta é para todos

.......... Voltamos ao silêncio como eu volto aos porcos:
.......... Os que não se cumprimentam choram
.......... Os que não choram se cumprimentam sórdidos
.......... Cada olhar diz é triste ser franco

.......... Voltamos ao silêncio – eu, volto aos porcos
.......... Na montanha escalada o gancho está solto
.......... No ultrapassado do tempo a palavra se evita
.......... “Cuidado” é anacrônico

.......... Voltamos ao silêncio como eu mato os porcos
.......... Tudo é estábulo e uma prancha
.......... As pauladas bizarras como o cotidiano

.......... Estamos no silêncio, meu amor, meus amores, nós que
nos amamos
.......... O ar espesso como uma afronta e eis o que somos
.......... A mata se moveu, a trincheira regrediu, estrela
decadente, a taça de ticuna
.......... No estofo da lama nos conjuramos
.......... Eu – volto aos porcos

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abr.98
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3 comentários:

Anônimo disse...

Oi Dudu! Eu ainda não tive tempo de ler seu blog direito mas que legal que você fez um... :) ______Vicente

Rafael Medeiros disse...

Salve Eduardo!

Diz-se que Heraclito de Éfeso (540–480 a.C.), filósofo grego, também falou algumas frases sobre os porcos:

"Os porcos alegram-se na lama, mais do que em água limpa."

A questão que fica é que será que somos porcos sem auto-conhecimento julgando que os outros é que são porcos ou se realmente não somos porcos e ajudamos os outros a verem que existe na vida algo melhor do que lama para se comprazer.

Grande abraço,
Rafael Medeiros

Anônimo disse...

Nuuuusssssaaaaaaa! Uau! Lindamente, lindamente estás a escrever. Beijo, Pati.