sabiastesia

.
.
.
Do sabiá à sabiá: “Pensar em você nos tempos de hoje é sentir o que eu penso que vá sentir depois da morte, se a vida ainda for importante até lá, e é este sentimento-e-fatores-unidos-e-estado-de-estar da parte afastada da outra parte que lhe fazia um tudo, de repentemente afastada, amputada pode-se dizer, daí o estranhamento desse sentimento mais tudo aquilo, em outros pios: não digo da derrota, mas é o sentimento da fragilidade, a consciência da fragilidade pela nossa existência poder mudar tão rápido, e estar vivo será sempre uma imigração indo, um novo voo adaptativo, durante a sensação do corte a punção da dor espicaçando, às vezes ela mesma fazedora da decolagem, em mais termos melódicos: a estranha condição de se ver rompido – e pensar isso tudo, pensar você, te sentir hoje, assim, é ser levado a pensar na ressurreição dos mortos, na ressurreição das mortes, se ela existe ou não já que não está morta de todo, já que, até que ponto?, parece não estar morta de todo; alpiste?” A sabiá nada responde pois está longe longe longe em um outro território.
.

dez.00
.
.
.

Nenhum comentário: