s.e. IV

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.......... A felicidade eu já a tenho nesse exato instante perdido.
5jul98
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jurisdição

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.......... Quando o ator só tem a si como apoio à própria força.
.......... Quando o pintor tem a tela, acredita, enquanto há guerra.

.......... Quando o escritor sopesa a letra, a cria limpa, como uma planta.
.......... Quando o escultor consulta a terra, recebe dela, fertiliza.

.......... Quando o dançarino preenche o espaço, preenche o espaço, com ou sem público.
.......... Quando o músico comunica a tudo, tocando o tempo, de dentro.

.......... Quando o lamento constrói o prisma, solitário.
.......... Quando o refratário sol nos espelha, conselheiro.

.......... Quando o degredo é o pior ainda, mas combatível.
.......... Quando o que é bom ressurge solto, muito vivo, no mínimo.

.......... Quando o ator preenche o tempo, o cria limpo, e fertiliza.
.......... Quando o pintor consulta a tela, recebe dela, ouvindo dentro.

.......... Quando o cantor crê no apoio, espalha à platéia, a própria força.
.......... Quando o bailarino planta o passo, faz o espaço, malgrado a guerra.

.......... Quando o escritor tem só a si mas comunica a todos, feito um dínamo.
.......... Quando o escultor sopesa a terra, solitária, coletiva.
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fev.97
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s.e. III

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.......... Vassouras chovendo, de bruxas um riso, meu riso, estampado arco-íris.
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1jul98
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s.e. II

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.......... No matadouro gigantesco a única saída seria o discernimento. A exalação de uma manga madura e a exatidão de seu baque. O feio feio como uma bandeira dura, o bonito bonito como cada sotaque.
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24jul98
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s.e. I

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.......... Desço a ponte e sigo em direção à tempestade.
2nov93
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não um disco, mas prato

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Acordo e tenho um prato de alumínio duplo que corto ao meio a estilete. Meu estilete é daqueles grossos que a palma mal abarca e a lâmina ácida fende resolutamente. O alumínio macio do prato cede à cova rasa que o separa; meia banda, lisa, se estende para o lado, meia banda, lisa, se estende para o outro. Digo: prato de alumínio duplo. Não porque tenha tido dois fundos, ou as bordas superpostas se mimetizassem, nada disso; apenas porque já no prato, uno, ele levava o seu duplo como a folha na carnaúba ou um espelho no escuro, como as sombras são maleáveis. Recebo os dois pratos – meio, meio – e os sirvo; ambos têm base por inteiro embora divididos, úteis. Disse: digo um prato de alumínio, quando deveria ter sido no passado já que o dizer estava lá no início; mas não está – está aqui como esse outro digo e os outros dizeres novos, num bloco, maciço, macio como o alumínio.
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maio.00
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se sigo

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Se sigo sonhando, imagino o disco: resistente, de aços madeira e couro, óleos avançados, radares; o sinto no voo silencioso e me encosto a ele sem acidentes de percurso – mas despenco, desmorono no rumo. Se sigo realidade, mal vejo o disco e ele existe: meu corpo o subentende mas recuso, o olhar disfarça ao captar seu vulto – e topo no lodo (ou trombo no muro) e o olfato só se desenvolve para esgotos. Se sonho, sonhando realmente, sonhos translúcidos, duros como diamante; se durmo, acordo, resisto ao choque, realmente sendo, nem míope nem sonâmbulo, sonho em realidade – então o realismo: acerto as arestas do disco, raspo seu leme, seu cobre, seu tronco, seu tudo, o dispo de magnetismo inútil, o reconheço, o abasteço, o pulo – do verbo polir – e assim que o toco levemente posso receber seu balanço, estável, verídico, como um aceno; sinto-o, sigo. Realizo o tê-lo para mim, ainda que distante.
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Se sigo prevendo futuros – mas mais que prevendo, vivendo-os, pintando-os, vendo-os sob o meu prisma momentâneo – realmente os ergo, os espicho, materialmente sólidos; – e atravancam, e impedem o tempo, restituindo os evitados danos. Que fazer? diz o zunzunzum dos ratos, o zunzunzum dos pássaros, o zunzuuuuuuuuuuuum do grande silêncio. Desmoronos. Promovê-los, a tempo de esfacelar como uma implosão nos concretos. Diz-se: dinamito – e esta brisa soprando não é um revertério climático, é uma onda de aviso, é o vento do desmoronamento das pontes, abrandando, limpando o terreno.
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Se sigo, sigo.
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abr.99
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certo choque

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Um choque que me torre o osso, uma palavra que nos suspenda, uma pétala que não nos desfaleça, um olho que veja; uma pulga atrás da orelha que salte ora tenha paciência, um caixilho útil, uma manutenção, uma permanência; um macaco preso no zoológico mas solto dentro de um parâmetro minimamente gigante; também o elefante, também a besta, também a gente; um astro que diga me veja brilhando ao mesmo tempo no polo e em Nova York, um astro que diga me veja brilhando longe, um astro que diga me veja; uma pipa uma curica um papagaio, uma rima uma cruz no mapa, um pulo enquanto o corpo pode; um choque que me torre o osso e que me persista.
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abr.98
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arara

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Quando a arara se viu no Coliseu vazio, e com insuficiência de penas para alçar voo, e com insuficiência de voz para chamar, quis saber por fim o que deveria saber: engatinhar, quando não houvesse mais qu'esporões; ceifar, quando só fosse só bico; e quando, só, pássara, strictu sensu: esfarelar as lágrimas na terra arada, arada de há décadas, de séculos numa era, numa caixa postal sedimentária, agricultura primeva; arar e sair fora – isto é, de pássara passar a planta (voo do crescimento da terra) e o Coliseu como uma lua, planura do sol projetada, escaldante, moeda.
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Ou: coc... coc... olha em volta. Que sedimentação de ausentes platéias. Que distâncias da terra batida, que quebras angulosas da arquibancada. Estas nuvens estão rangendo como uma ferrugem em máquina ou será da muita altitude que as estica – a arara pensa. É a arara no Coliseu sem nem bactérias. Rangendo como eu mais nunca me porei a ranger por minha conta: estou despreparada. O que faço? Não penso. (porque dei meia-volta c'os olhos e o rastro de penas saíra em disparada) Não penso. (porque a lufada que o disparou dispara também o chamado oxigênio e ele agora é um ar que me afoga) Não penso: → ...... ← não posso. Poderia se fosse outra, não sou, nem quero. Mas quis estar nesta mina sanguinolenta onde atritos caíram como usinas em conjunto perdendo a força depois de sentirem no íntimo a soma das cargas mais raios de sentimentos em gozos explosivos de pavores? (O pensamento é silêncio, e habilita assim sua lógica em palavras de só sol.) O sol da arena desfraldada – mas tal noção j'é remota... – na qual no centro ela se indica por não ter memória, se indaga, carbúnculo, óssea, enraízo?
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Ou: barcos que nada, aqui não pode ter vestígios de água, nem portões, impossível, só chacras em ruínas, cracas de ímpetos, trajetos em resquícios de caravelas malfadadas, e ói que secura: não sei por que nem digo isso, não sei como não se entala o diapasão de agudez dessa sovada minha voz de só furar as rachaduras do meu bico (mas ai Deus – que és? – as minhas cordas de uma só braçada não mais grasna mas tatala a rachadura dessa asa asinha, ainda minha?, dobradiça implume desses ossos, que ainda ouço e agora ouça quando roça o pó) é: não, impossível, só chacra menos, menos ímpeto, vestígio mas na água e o portão é de um delgadíssimo indefinismo, ruína no negativo – é a arara, que pensa; uma arara, a sol, a areia em massa, ao se ver no centro do Coliseu, vazia.
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fev.02
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vinte anos

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.... Daqui a vinte anos o trem atropelará os morros
.... Daqui a vinte anos Rebeca será condenada pelo auxílio despretensioso
.... Daqui a vinte anos a lua girará redondo, redondo, redondo
.... Daqui a vinte anos o magnata do petróleo perderá um dente de ouro – no lavabo

.... Daqui a vinte anos os cavalos de Royal Silvery Grass darão um tropeço e strike
.... Daqui a vinte anos os ossos dos cavalos serão cozidos, depois incinerados para um uso obscuro
.... Daqui a vinte anos eu não estarei vendo
.... Daqui a vinte anos a peste bubônica terá voltado

.... Daqui a vinte anos um subemprego no deserto de Nevada será para sempre abandonado
.... Daqui a vinte anos dez pedestres do centro do Rio de Janeiro darão um encontrão nos seus passos convergidos e de seus relógios chocados nascerá um ovo
.... Daqui a vinte anos no centro de São Paulo dona Judite estará bebendo um suco no Largo do Café
.... Daqui a vinte anos gotas frias do silêncio despencarão dos telégrafos

.... Daqui a vinte anos a rosa púrpura do Cairo desabrochará apenas com um peteleco
.... Daqui a vinte anos os mágicos, os acróbatas, o pipoqueiro, enviarão um beijo para aquele fastígio vazado do alto da tenda do circo
.... Daqui a vinte anos, de pé, o macaquinho Choquito sentirá pela primeira vez a dureza da cadeia que o ata ao dono
.... Daqui a vinte anos, com um solavanco, o ônibus despencará em Pernambuco e o rio não correndo assimilará as vinte e três identidades dos vinte e três passageiros

.... Daqui a vinte anos o presidiário estará preso, como hoje
.... Daqui a vinte anos o tráfego aéreo será repentinamente interrompido no entrecruzamento do céu suíço, e os aviões não cairão
.... Daqui a vinte anos um dos alicerces daquele centro empresarial do centro financeiro de Frankfurt ficará podre de repente, de repente, podre
.... Daqui a vinte anos, é inconteste, o céu do Japão terá pequenos cristais que não derreterão

.... Daqui a vinte anos a maquiagem inexplicavelmente borrará no rosto da dona do yorkshire
.... Daqui a vinte anos um câncer, inexplicavelmente, regredirá regredirá regredirá, será nulo, será, quase, como se nunca existisse
.... Daqui a vinte anos, no entanto, uma cicatriz expelirá sua abertura há muitos anos certamente selada para sempre
.... Daqui a vinte anos atores num intervalo de ensaio, jogando truco, farão sem querer com que uma carta vire, e isso parecerá estranho a um deles

.... Daqui a vinte anos o palco estará vazio
.... Daqui a vinte anos o lustre do hall estará muito cheio de pó indistinto
.... Daqui a vinte anos o recepcionista, imóvel, não pegará o chapéu nem fará cara de tolo
.... Daqui a vinte anos o tapete do saguão principal parecerá tão repulsivo, tão repulsivo, tão, tão

.... Daqui a vinte anos num entrechoque de cruzamentos, quero dizer uma encruzilhada, um pombo estará perdido e muito taquicardíaco ao ver-se longe da cidade
.... Daqui a vinte anos, num ramal telefônico, bichos, até então desconhecidos, até hoje desconhecidos, estarão roendo, estarão vivendo dos grãos elétricos se intercomunicando
.... Daqui a vinte anos um voo de ovni passará tão longe, longínquo, que será desprezível a não ser pelo Universo
.... Daqui a vinte anos uma pepita de juncos, um organismo de raízes precioso, ainda será encontrado, profundo, profundamente como recitaria o poeta do topo de sua posição humilde

.... Daqui a vinte anos, num lance de dados, um garotinho terá uma viagem psicodélica sem tóxicos, apenas com a impulsão do próprio pulso
.... Daqui a vinte anos, nesse lance, o garotinho terá a impressão, talvez ilusória, de que os números se entreembolando estarão dando conta do destino do cosmos
.... Daqui a vinte anos a irmã dele, lhe assistindo, não se dará conta disso mas será testemunha e confidente e coparticipante do brilho diferente dos seus olhos
.... Daqui a vinte anos, finalmente, os dados estarão parados na estampa do tapete, depois de rolados, depois de não serem, ao contrário de no momento presente, faces com números de olhos abertos e voltados para o alto

.... Daqui a vinte anos uma fogueira estará rolando
.... Daqui a vinte anos uma serpente, sem medo, não quererá ovos nem filhotes nem ratos, estará rastejante à beira da quebra das ondas da imensidão do oceano, e saberá isso
.... Daqui a vinte anos, como uma bomba-relógio, o jornaleiro antigo sofrerá de engasgo e subitamente não poderá, não poderá dar conta do recado
.... Daqui a vinte anos haverá, evidentemente, prejuízos, mas ai do meu vaso expressará a senhora de chinelos depois do lapso bobo que lhe espatifará o utensílio querido no parapeito dos fundos, os mesmos fundos daquela sua velha casa-mansão em mau estado cheia de gatos ruivos

.... Daqui a vinte anos Alberto encontrará um sentido no dicionário
.... Daqui a vinte anos Alice estará assinando o contrato
.... Daqui a vinte anos, esbugalhado, um anjo estará saindo, finalmente solto, libertado, do esconso, úmido
.... Daqui a vinte anos o arquipélago unido de repente será ilha sem maremotos

.... Daqui a vinte anos o palhaço Carrapicho fará sexo com uma estátua e o conceito dessa cena não será louco
.... Daqui a vinte anos átomos entrarão em concílio, mas será só silêncios, só indiscursos, só Maracanãs fechados pela base do governo a tijolo e às três horas da manhã de um dia injuriosamente santo
.... Daqui a vinte anos não haverá recibo
.... Daqui a vinte anos as nuvens farão um círculo, simples, mas os seres da maior comunidade do mundo estarão de torcicolo, para baixo

.... Daqui a vinte anos, sem registros, o encarregado do serviço público do subúrbio X traço B 200, enviará um protesto para a avenida chique mas o protesto estará contendo a manifestação de que a voz lá deles mais a intenção dos seus desejos nunca chegam, nunca chegam
.... Daqui a vinte anos, em campo aberto, uma florzinha talvez no meio, ocorrerá a disputa mais esperada do século, entre um chimpanzé e um bêbado, entre um fenômeno e um esqueleto, entre uma rainha e um rei, jogando xadrez, eles mesmos as peças ou as peças lançadas uns nos outros
.... Daqui a vinte anos primavera, verão, outono, inverno
.... Daqui a vinte anos primaveraverãooutonoinverno, a cada segundo de um só mês

.... Daqui a vinte anos, disseram, haverá um pré-requisito em todos os guardanapos oferecendo um bom conselho ou melhor dizendo um mero oferecimento literário, sob um certo ponto de vista semialcoólico, é claro
.... Daqui a vinte anos carros de corrida com ventosas subirão prédios e talvez chova combustível se eles se excederem vitoriosos
.... Daqui a vinte anos um elefante atravessará o Atlântico a nado, sem causar alvoroço, sem chamar atenção para o ato, consciente de que será necessário fazê-lo, para si mesmo, para aportar do outro lado, sentir o sabor de outros sucos dos outros matos
.... Daqui a vinte anos os homens continuarão matando

.... Daqui a vinte anos subirá na mesa o lendário açougueiro do bairro e dirá eu, eu... coitado, gago, gago de remorso, gago de uma espécie de pânico, não poderá dizer o que sabe há tanto guardado para ser um dia dito
.... Daqui a vinte anos, nem por um meio nexo, a formiga no lajedo daquela senhora de chinelos não desviará dos cacos e pode-se dizer que atravessar-los-á, passará-los por sobre, não sei se se pode dizer com ímpeto
.... Daqui a vinte anos haverá um momento em que os ponteiros se sentirão falidos, falidos, os ponteiros, se sentirão
.... Daqui a vinte anos, no sulco daquele plantio, nascerá uma espécie de urso, uma espécie de grande novelo, dará um rugido e mal olhando ao léu do horizonte para ele novo, se recolherá de novo, adeus

.... Daqui a vinte anos no esparramento de um chamego, a mão terá o sentido da pele reaceso, olhará o sol, o brilho, como será recorrente o encadeamento extraexposto dos poros
.... Daqui a vinte anos, neste mesmo sítio, entre o mesmo brilho, recenderá o olor ininterrupto, e o olor ininterrupto será a explicitação de um velho sentimento então reemerso mas que as narinas de dentro nem precisarão chamá-lo pelo nome superficial
.... Daqui a vinte anos o sol, o brilho, serão escandidos num átimo, será como o próprio sol se infiltrar, inteiro, e pulsante, no pó, naquele cisco sobre a pele solto
.... Daqui a vinte anos muitos termos vão reencontrar-se, nave, dor, milímetros, barcos

.... Daqui a vinte anos, num brinde, será estabelecida a noite em que a conversa, sem aviso, sem planejamento que se soubesse, de fato se conversará
.... Daqui a vinte anos, num bote, do tamanho de um gigante o homem se sentirá equilibrando-se até a chegada na margem na qual vê uma miniluz, e no frio do seu equilibrar-se verá que não é um bote, é um tampão, é um medalhão de cobre, oxidado, é um escudo em que está sobre, oscilando ambos
.... Daqui a vinte anos, no dia em que um viajante passará do limite, os barbantes que encontrará na ponte estarão atados, a princípio, a pequenos sininhos, mas os sonidos indisfarçáveis que aparecerão da passagem lhe dirão, de chofre, outros anúncios
.... Daqui a vinte anos, no estágio mais seguro de um flamboyant selvagem, o vermelho não só será vívido, será volumoso, será galopante, será o perfume do projeto com sofreguidão obtido mas com muita sinceridade naquele dia escuro, entre suav(íssimos) incensos

.... Daqui a vinte anos será regular basear-se pela base, o que não será, não pode ser um pleonasmo
.... Daqui a vinte anos no auge do açoite, a mão, o pulso, mesmo de longe, segurará o raio do bruto deus que achincalha-se
.... Daqui a vinte anos, no cerrado, encontrar-se-á uma cachorra, cã, cadela, cadela, amamentando
.... Daqui a vinte anos na decapitada perna das alporquias da figueira, gota-a-gotejará um sangue, é o sangue que vem do outro lado, escuro e doce sangue, tingirá o chão, em estranho porém vasto e radiante carinho numinoso

.... Daqui a vinte anos, entrementes, as trouxas serão largadas e as lavadeiras de costas nem darão bola às suas derivações
.... Daqui a vinte anos as tubulações do bairro sairão para fora, sairão para fora não será nem é outro redundantismo
.... Daqui a vinte anos a cobrança da conta absurda será ainda mais absurda e não haverá maneira ainda menos poética de dizer isso
.... Daqui a vinte anos as Poéticas, de Aristóteles, de Horácio, de todos os nossos cérebros, estarão boiando como as trouxas – e quem será lavadeira de costas, se indo?

.... Daqui a vinte anos serão vinte anos a mais num certo grau de sentido
.... Daqui a vinte anos terão se passado vinte anos, irrisórios, num outro certo grau
.... Daqui a vinte anos o barro terá de ser reacondicionado e, nele, reempilhado o livro sobre os livros
.... Daqui a vinte anos haverá um termo para definir-se, assim

.... Daqui a vinte e cinco anos muitos dos que estão nascendo terão vinte e cinco anos na idade
.... E muitos de nós, mas muitos mesmo, estarão mortos enquanto alguns poucos de entre nós todos estarão vivendo e vivos;
.... Todos estaremos morrendo;
.... O que, no mais, não será novidade, pois é o que já ocorre e o que sempre acontecia, ainda ontem, ou anteontem

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maio.06
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