cavaleiro

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O cavaleiro monta. O cavaleiro e sua meada de mapas. O cavaleiro gosta das patas fazendo som. O cavaleiro gosta de arriscar-se a levar uma galhada. O cavaleiro é só, apenas. O cavaleiro canta. O cavaleiro segura o estandarte – estandarte-lança. O cavaleiro sabe o nome do seu quadrúpede. O cavaleiro avista o castelo. O cavaleiro avista o lago. Avista o burgo. O corpo morto do caminho. Avista o compromisso. O cavaleiro visita o bruxo. O cavaleiro entrega-lhe a foice de ouro. O cavaleiro une-se ao próximo destino. O cavaleiro antevê o veneno. A bossa do ogro. Atrás da curva. O negror da peste o seguindo. No alto as asas do corvo como um signo celeste. O cavaleiro pensa em seu coração enterrado. Pulsando como um relógio que ainda não existe. O cavaleiro aspira a cavalheiro. O cavalheiro inveja o posto magnânimo do nobre guerreiro. O cavaleiro nunca imagina isso. O cavaleiro chora ao ver-se no vau. Não há peixes. Ursos tampouco. O cavaleiro, múltiplo de símiles, é anômalo.
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jul.98
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Um comentário:

Heitor Amílcar disse...

o que é mais bonito: o texto ou sua ilustração? simples: o conjunto. simples assim.
agora, cá pra nós: 'a bossa do ogro" é simplesmente demais.