díptico lunar

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..... ME LUA, LUNÁTICA
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............. Quando eu ia me matar
............. Você veio e me vestiu de calma

............. Repôs o verdadeiro lugar
............. Luar no qual a alma é alma

............. Nada mais a dizer
............. Num poema assim curto e grosso

............. A não ser que eu não sei ser
............. Quando a tua ausência toca cada osso

............. Onde o lugar onde o osso não será meu nem seu
............. Mas o nosso?
............. Onde o luar me alaga
............. E o medo de que você parta
............. Será só a luz crua da lua, clara?

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maio.94.
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..... LUNÁTICA, ME LUA
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............. No dia em que eu me mantinha vivo
............. Você veio e me pregou de sustos.
............. Repôs de novo o meu verdadeiro lugar
............. Luar no qual eu sou eu mesmo.

............. E ser eu, nesses estados, nesses lugarejos enluarados,
............. É ser um núcleo cheio de teatros e arenas digladiando
............. Cheio de gladiadores interpretando os meus medos
............. Cheio de plateia sorrindo do espetáculo e vibrando em
silêncio.
............. Silêncio porque o mundo é triste como uma orquestra esperando o ato
............. E o maestro é um braço que se abraça ao imóvel
............. De olhos fechados não vê os músicos.
............. Silêncio porque a beleza também é, sobretudo, serena
............. Com uma intensidade vívida de espantos ao contrário
............. Com uma imensidade de jarro cósmico, vertendo,
............. Com uma força de Lua que é, nas palavras mais simples
e diretas,
............. Você chegando.
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jun.06
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2 comentários:

Andréah Dorim disse...

eu, depois do black-out, na cochia,
em meio aos claps-claps-claps, lagriminhas, gritando todas as alegrias:
- BRAVÍSSIMO!

Lia disse...

Edu,
Lunática, me lua
as lágrimas rolam, uma a uma, nesta tristeza doída, silenciosa, apaziguadora.


(Edu, não sei porque aparece lia, mas é a bia)