dialética de hospício

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............... Às vezes, quando eu penso que vou enlouquecer,
............... é que já estou louco inteiro,
............... papoulas no hidrômetro,
............... no liquidificador estercos.
............... Outras vezes, campeio bordas de latifúndios,
............... mas aí já não sou,
............... isto é, compadeço-me do capataz ciceroneando
............... e a loucura não está em mim, está nas demarcações.
............... Se um verso tem sombras de coqueiro, pode ser
pêssego;

............... se a boneca de pano tem macela dentro, sairá de um livro.
............... Então me distraio.
............... Dirijo-me para o que me enceno ser externo:
............... os grandes crepúsculos,
............... esta chuva de granizo na verdade lanugem de carneiros
arrebatados ou mil dentes-de-leão ao vento,

............... fuga de lobo,
............... escadas de incêndio,
............... os números engraçados dos indicadores públicos de
graus célsius.

............... Chego mesmo a discernir no ocaso
............... as lantejoulas da palavra Deus
............... compondo em semicírculo.
............... Cada lantejoula tem um prego.
............... Atrás não vejo muro; a partir daí paro.
............... Paro não de medo, paro não de dor nos olhos.
............... Paro não porque é segredo e os mistérios
desmoronariam.

............... Paro porque é berço.
............... Berço micro, plurifuliginoso; em que nanam:
............... ícones de picos,
............... o alpendre do poeta pernambucano,
............... baixos-relevos,
............... o interior em nó das catacumbas em círculo,
............... todos os reflexos dos espelhos entre espelhos,
............... e o ar,
............... grânulos de grânulos de grânulos.
............... Fuliginoso
............... porque é das plantas dos meus pés que calcinam
............... (quero dizer: há algo – de Deus em seu ocaso rubro?
............... – ácido por entre o fricativo do coriáceo e do térreo)
............... e tudo o que sobra é fogo.
............... Berço silêncio,
............... berço enquanto chamo,
............... berço o engradeamento à base de punhos,
............... berço o abraço-embalo das labaredas do suplício
............... (para além, para além de mim mesmo...!),
............... o bedel está vindo.

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jan.10
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