pra mata

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.......... Viro pra mata: são dores, são marcos, sejam asas, pirilampo não é nunca uma palavra pirilampos são o verbo em forma de luz, viro pra mata. Na rajada noite a parede escurecida do verde a reter o dia e as tardes e exalará a aurora. Fendas. Negras profundas. Sombras levantadas. E o cheiro da aérea loção (aéreas loções). Viro pra mata. Do estalo desse galho dirá: privilégio – de ter um corpo, de ser num corpo em que todo corre vivo, de sendo sentir-se no Corpo o corpóreo completo em que estão até os vazios, viro. A mata é um berço que abarca todos os nascimentos. Paranabi, Ximbé, Garapás, Min, Sanci-lê, florestas de um Brasil. Brasa que vem na aragem: a felicidade é recuperar os momentos bons, ter consciência de que os houve e ter consciência deles ainda e sempre existindo em si mesmos em si (como minerais que nunca se foram). Viro pra mata: ah vire; a lua é sempre um espelho d'água e o sol é sempre uma poça nova e a terra é solo para o verde à mostra, para a gente. Prazeres: os prazeres hão de ser visíveis como roupas no varal para a quaragem, ah que gigante quaragem de trança de mil fios – viro pra mata – eu sei lá o que alegria é eu sei lá o que é angústia, mas sinto uma e uma, a primeira imensa a segunda monstruosa, a primeira monstruosa a segunda imensa, não tem a explicação mas tem-se-na concreta sem palavras: como o leigo na frente da usina, não sabe entender o mecanismo da engenhoca mas sentindoassistindo ouve tã! seu coração a todo o volume de-água. A correnteza caiu; ainda vai cair. Eu como minerais que nunca se foram. É como ler aquele período brilhante do Guimarães: “E quando Turíbio Todo riscou um arco, do Aruá ao Cedro, Cassiano Gomes vinha precisamente em reta acelerada, e tocou-lhe, amanhã e ontem, a trajetória, em tangente atrasada e em secante adiantada demais”. E não é só: lês e ao levantar as órbitas a vista ao sair da página se depara com aquela foto que te olha, é de Einstein com aquele olhar sofrido e de vincos de quem já viu muita paulada e não obstante inquire a resposta e te chama para a vida a Vida ainda, ainda. E não é só: é o período e a visão de Einstein com a vista que lhe dá vida a vendo e mais em toda a pele nas orelhas nos aquedutos a presença do roçagar da sensação do Tempo, que eu sinto, e todos qu'eu conheço, vivos e mortos, estão comigo neste agora enquanto – digo – assim pulso. Carnaúba. Serra de mil quilômetros. Hulha. O termômetro marca... quanto? Estrela cadente, temperaturas. O berço balança como as muitas passagens, as portas de entrada e as direções fronteiriças. Viço. Viro pra mata.
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.......... Eu vi roprá ma ta: a queixada da noite não tirita – tem-na a mata – a queixada da noite está disposta às feridas, para rir-lhas, para palatá-las, para acariciá-las com a boca e gengivas. Boca da mata. Arcada. Garra e sorrisos. A dinastia desta diáspora: os ossos da selva sempreviva, não vivíssima porque viva já é just'a medida-em-auge.
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.......... Viro pra mata: .... .
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jul.01
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Um comentário:

bia reinach disse...

Puxa Edu!!!
Que forte!!!
Deu saudade d'ocê.
bia