visita

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.............. No dia 22 de abril de 1994
.............. Às 8 e 45 de uma noite chuvosa com trovoadas
.............. A Vida me visitou com seu traje claro e indescritível
.............. E através de sua cara sem traços
.............. Ofereceu seu sorriso tão feminino
.............. E masculino
.............. Feito de uma fenda invisível, apesar disso palpável
.............. Incumbindo-me a missão de fazer um poema prosaico
.............. Onde eu dissesse o que me disse
.............. A respeito de constantemente ter me visitado
.............. A respeito da porta daqui ser às vezes de aço ou plástico
.............. Às vezes inconsciente tapume bravo
.............. A respeito do respeito tácito, necessário
.............. Do restabelecimento do nosso contrato
.............. Do segredo
.............. Pelo qual rio sozinho um riso igualmente abstrato
.............. Pelo qual não há tempo a perder
.............. Pelo qual nos entendemos
.............. Feitos nós três, nós dois e o segredo
.............. Dessa matéria sem trincos, sem traços
.............. Desse seu tecido indescritível, e claro
.............. Desses dizeres em que ela mesma me trouxe
.............. Um sentido básico no poema prosaico
.............. A respeito de ao menos uma letra legível no seu recado
.............. Dizendo que o dia seguinte é sempre raro
.............. Que no dia seguinte há sempre um entendimento grávido
.............. O dia seguinte é sempre a data de um grande
nascimento
.............. De um espetáculo
.............. E claro, ela me disse
.............. A véspera é hoje, não o contrário
.............. Não vou mais me embora daqui
.............. Também como ir de onde mal bem saí
.............. Nunca
.............. Sempre
.............. Vamos
.............. Diga isso
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abr.94
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5 comentários:

Flávia Ferraz disse...

!!!!!!!!!!!...........

bia reinach disse...

Edu, edu, edu.....
vivo, vivo, vivinho da silva.
que delícia de poema prosaico.
E esta foto, o que é exatamente?

edu brito disse...

exatamente... é o lindo balãozinho aqui do teto do meu quarto

Andréah Dorim disse...

... lagriminhas: catarse minima.
(...minimo: o do si, sustenido, que entoa e flutua eternamente. Brisinha do pulmão enchendo de sorriso. Coagraça dedu!)

Heitor Amílcar disse...

que coisa mais límpida a deixar flutuar sensações. emoção em querer voltar à tal data vesperal. a tê-la datada hoje, cotidianamente a cada hoje: vérper a erguer nossos balões interiores.