imágenese

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Uma escada de grandes e retangulares pedras, pedras dos degraus, pedras da moldura da entrada, pedras das paredes à esquerda e direita – a esquerda muito grossa, tem-se a sensação de que se perde sem fim, a direita de 1 metro no máximo e na qual está a porta; a porta apenas moldura, a porta sem porta, guarnição, passagem livre. Atravessando-a os degraus se elevam à direita entre as paredes de pedra, corredor se suspendendo até uns 10-15 metros. Supõe-se o resto do corpo do castelo, talvez em ruínas, um imenso castelo, ameias, torres, salões e ante-salas... mas não se presencia, tampouco sente-se a extensão a princípio lógica. Lá em cima uma luz forte mas agradável, explodindo principalmente a noroeste de quem sobe (imaginando a diagonal reta da escada ao norte), resplende a coroa dos seus raios branco-azulados – grises, como parentes de pedras – movimentando-se em silêncio, um silêncio rotativo (quero dizer: os aros dos raios se trocando, ora em sentido horário ora ao contrário, ao redor do núcleo) e brandamente. Parece que chamam, convidam. A escada tem o ar de um único sentido: nunca desce; sobe.
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3 dezembro 98
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