imágenese

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Uma pirâmide mole, sem ponta, toda recoberta de grama (verde-intensamente), inclusive a área quadrangular a sua volta, chão recortado que se tornou parte dela, emendados pela grama e pela consistência mole. É movida por uma esteira sem esteira, apenas os vários rolos, dispostos um em seguida ao outro, paralelamente, sendo uns mais pra lá outros pra cá, ou seja, os segmentos não formam uma sucessão simétrica – mas estão numa vala rasa, de margens retas, encravada num grande terreno plano. Os movimentos conduzem-na a um abismo onde a vala de rolos e o terreno terminam. A massa da pirâmide (primeiro uma das pontas do seu chão) escorre, desmanchando-se em pedaços e gotas, caindo. Na minha visão escorre o bico do chão, boa parte dele e metade da pirâmide vai cedendo, mas toda a queda não se completa, repete-se do bico e da metade, e volta... não exatamente volta nem se repete, pois não há salto, ajuste, recolocação – a queda “toda” da pirâmide é esta: cai e mantém-se, vejo desmelinguir-se e se preserva e o próprio ato dúbio é sua existência. (Quando me refiro a verde-intensamente, quero dizer a grama exuberante, úmida, e como se a moleza de que vive fosse de uma argila fértil.)
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30 setembro 98
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Um comentário:

bia reinach disse...

É uma lesma?
Primeiro imaginei uma esteira de ginástica, e agora uma lesma, mas... existe lesma verde????
bia