imágenese

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Uma rua, aparentemente normal mas em miniatura (não tão pequena mas como se se reduzisse “uma escala” do normal) – e vazia, limpa, não se tem a sensação de seu norte, não se tem a sensação de seu sul, e não se sente o seu lado de cá: ela é apenas este trecho com uma das calçadas, na qual em meia-lua perfeita uma entrada para carros se delineia. Formando: dentro da lua um canteiro em que se encontra, além da pouca grama, uma árvore central, alta, reta, talvez (provavelmente) palmeira – não se vê direito mas sente-se, agora sim, a frondosidade da copa; para fora da lua, bem na margem, o espaldar de três portas. São idênticas, quase quadradas, retângulos gordos, estão fechadas. Apesar da higiene precavida ou da puritana assepsia, não se nota – não se cheira, não se pressente – artificialidade embutida, muito menos explícita. É antes a condição inerente – natural – do mundo que a abraça; mundo sui generis a fabricar e fabricado da paisagem. Lugar agradável e o que se descobre da meia-lua com árvore é o seguinte: não é canteiro nem mera rotatória ou desvão para os carros que não chegam; é a conclusão de uma praça. Praça em essência, concentrada, em que a palmeira supracitada, deduzida, define todas as outras, palmeiras ou não, e a grama, pouca, toda a amplidão que resta, que falta estar e está na sua presença.
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6 janeiro 99
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