vestígios do ibirapuera

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Os ramos dos pinheiros coam os raios de sol,
originando um efeito semelhante ao da luz que penetra pelos vitrais de uma catedral.
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Robert M. Pirsig, Zen e a arte da manutenção de motocicletas
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Passam cinco, quatro homens e uma mulher, todos de camisa branca o que me faz pensar serem médicos, ainda se se contar a hora da manhã, 6 e meia, tida como “saudável” para andanças assim. E a deles é firme e olhando para frente. Os homens têm cabelos brancos, sendo o mais obeso – o único obeso, os outros três são senhores magros – vai com os cabelos não tão brancos, grisalhos, e usa um bigode, sendo acho que único também nisso. Os outros três, ou dois dos outros, usam óculos. A mulher não é macérrima, tem um penteado curto meio loiro-enruivado e quando disse que a andança de todos é firme e olhando para frente menti; firme sim, mas a da mulher por exemplo não é tão pra frente – seu olhar oblíquo pro chão mistura o que há de vir com o asfalto e assim vai se guiando por este intermédio. Ela e o do bigode parecem mais jovens, ela mais que ele, mas não mais inteiros, os três senhores parecendo mais. Outro que não olha tão reto é o gordo; ele conta uma história que não dá para ouvir (daqui), dirigindo-se mais ao senhor à sua direita que, este sim, vai firme e para frente, dando a entender que o papo do gordo é de um profundo desinteresse, daí vindo talvez a obliquidade da mulher. Penso no ato “gordo, você fala muito” e vem a ideia de escrever. Agora os cinco já passaram, há um bom tempo.
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9 03 98
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