VF 27

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(janelão, à tarde) ..... Flutuante na luz nítida da primavera o vaso pendurado da parede executa seu talento gráfico inerente como em todas as coisas: a planta sobre ele florida de suas explosões cor-de-rosa contidas e de quem nem minha mãe sabe o nome desenha a renda de sua mata de sua algaravia de verdes de sendas de cores com a mão precisa que lhe compete no chapadão vertical da parede que a ampara. Mapa. Solar sombra.
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(do carro na avenida ampla com a visão ampla da ampla cidade) ..... Pode ser um contra-senso mas é um sentimento da realidade: O céu azul é a única cúpula libertária.
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(cf, 2h37, mas faz de conta que ainda é “hoje”, já que de certa forma ainda é) ..... Gostaria de dizer:
........... “Gostaria de escrever: Flutuante na luz nítida do luar o vaso pendurado da parede executa seu talento gráfico inerente como em todas as coisas: a planta sobre ele florida de suas explosões contidas de flor de quem nem minha mãe sabe o nome desenha a renda de sua mata de sua algaravia de sendas de tons com a mão precisa que lhe compete no chapadão ladrilhado do chão que a ampara. Sombra. Mapa lunar.
........... Mas está nublado. Não posso escrever.”
........... Mas na realidade está um bruta luar. (Não que chegue a pegar a planta exatamente; quase.) Então o que está escrito está escrito, mesmo.
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24 11 99
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