VF 34

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(carro, 3 e 30... 4 da manhã, depois 6:07) ..... Vários e vários carros. Que toque de recolher para São Paulo, que fim a cessa? Poderia se pensar é tanto agito, os últimos 100 anos aceleraram tanto, são tantos dados, acessos, velocíssimos, tempos e gentes passando, que um dia de tanto correndocorrendo chegará a um máximo, a um novo centro, renovado como a matéria além da luz num tempo-espaço, como um queijo mofado de tão parado como o peso de um relógio parado transformado como algo de tão estagnado se transforma, fungo crescendo, mas quase não se pensa, faz-se parte do mundo, São Paulo, a pista acelerada, as casas paradas – os prédios, os barracos –, é-se mais um átomo rebatendo.
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(fc) ..... 2000 já fundeou suas estacas. Suas pilastras (móveis?) irremovíveis. O dia claro mas penetra uma chapa de nuvens, chuva fina, calor, pequeno vento frio, tudo ao mesmo tempo, da esquina da direita vêm os sons de um pagode, da da esquerda um silêncio de ressacas repousando, como na rua em frente, vazia, parada no tempo andando ou andando num tempo parado, onde a leste está o samba, a oeste o que silencia, e na fronteira central o que os sincretiza é o paraquedismo propagado das gotas. Sobre todas, sobrevoando-nos, trovões excursionam.
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(cf) ..... O ano-novo deu a volta sobre si mesmo, já rastreou todos os pontos, já aconteceram seus duplos se sucedendo, inclusive os cinco do Brasil, de Fernando de Noronha ao Acre, onde agora chove, de cabo a rabo é o que dizem os fatos, os boatos de outras janelas se abrindo, o país é um talo de um cogumelo com seu chapéu-nuvem.
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(fc) ..... Um sujeito de chinelo bermuda e guarda-chuva atravessa tranquilamente a reta da calçada a sua linha imaginária paralela ao horizonte com sua camisa folgada de botão e manga curta.
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(cf) ..... Noite. Já quase à meia-noite, a primeira produzida no vagão dos dois mil. Numa página do jornal – janela – comentava-se: é 5760 para os judeus, 1420 para os muçulmanos, 2544 para os budistas. Muito bem, mas é noite, para todos somos noite, a primeira do agora quando se está nela, como sempre, noite, quase à meia-noite, nova.
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