VF 4

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(cf) ..... Dois vasos grandes, um banco, cinco cadeiras ao redor de uma mesa redonda, a parede e as janelas opostas, tudo branco. Nos vasos minipalmeiras em espalhafato. O chão ladrilhado quase no mesmo tom de marrom da fila de vasos: são de um marrom-barro, pintados há pouco tempo, dentro terra escura em todos; os verdes de suas plantas sobre o verde da trepadeira do muro abarrotado, por cima a planta do vizinho transbordando – mata de alamanda e seus rojões de amarelo. O que mais rompendo o verde? O branco das três rosas no vaso central entre os sete vasos; o roxolilás, rosa suave das orquídeas dizendo: eu vivo, eu vivo, eu vivo. No muro da direita, de frente ao seu contrário onde acontece aquilo tudo, a presença maciça dos bambus aparados no espaço – sua multidão de finas folhas com seu verde próprio. (Subindo o olho, lá acima do bico dos três prédios cortados pelo horizonte do telhado, uma meia-lua acontece de repente entre a peneira dos cúmulos.) Um avião passa próximo, mas o campo da janela não rastreia sua rota – apenas o rugido enorme, reboando. Logo em seguida um outro, lá longe, guinando de barriga, silencioso... e outro, vem do sul, muito alto, em direção aonde seu parente guina, também mudo. Na metade leste são nuvens sendo uma grande nuvem retalhada; no topo de cada trapo a luz as branqueja, no meio alaranja, embaixo é cinza, encharcadas. No quintal do vizinho se apoiam no Tempo as folhas unicamente lindas da bananeira. Tarde comum de um qualquer dia do ano.
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24 03 99
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