VF 7

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(fc) ..... Não, não foi apenas uma invasão passageira, o verão desgarrado trouxe parentes, sectários, súditos e não quer sair do Castelo Outono. Fim de tarde prateado. As centenas de folhas no telhado imóveis. Apenas as rosas brancas do vizinho em frente balançam no topo das hastes, concordando, concordando – ninguém retruca muito bem, já entendo. Dois sujeitos, um senhor de barba e cabelos brancos e um mais jovem, ambos de chinelo, o segundo trazendo sacos de pão e alimentos, se cruzam no meio do caminho e param; são conhecidos e conversam. De repente uma manada de um som em desvario tomando a pradaria dos telhados: uma chuva indiscutível, pingapingando grossa, afoita. O mais jovem encosta no ombro do outro, dá tchau e sai correndo; o mais velho ainda se molha durante o tempo difícil em que não consegue abrir o guarda-chuva – consegue, a tempo, e sai andando na chuva na direção oposta à do jovem. As folhas encharcadas; as das copas e outras plantas concordam juntas, agora em uníssono com as rosas – porém todas um tanto oprimidas. A chuva não para. (apesar do dia se manter claro; lá para o céu à esquerda vê-se um rombo azulado) Os motoristas até há pouco relaxados passam mais atentos, tensos, se aproximando do vidro. Reentrâncias de prata na água amarram-se e magicamente viram nada ao redor dos pneus de dois carros parados. O calor não passa, refresca só um pouco, a queda da chuva se acabaria mas continua.
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(cf, mais tarde) ..... Lua.
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30 03 99
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