VF 8

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(fc) ..... Há pouco estava fechado, um frio enfezado, agora o céu é um azul absoluto, a temperatura não é nem fria nem quente, friozinhazinha docemente, e venta leve como se o ar fosse puro. O vizinho desenganado está de pé no seu portão, vendo a paisagem; foi operado, parece muito bem, não morreu. A rua tranquila – passa só uma moça de bolsa na calçada oposta. Muitas folhas no telhado da garagem indicam a chuva louca de granizo de três dias atrás; agora recebem o sol suave e a sombra da rama de onde estavam.
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(cf) ..... O mesmo azul total. O sabiá cisca a banda de mamão que os meus pais deixaram, o passarinho azulado espera a vez. O outono despende uma luz que despende luz que despende luz que despende luz que despende luz – e não agride. (...) Chego à janela de novo e o sabiá no muro estica o pescoço e me olha de lado. Não prevê espingarda, não prevê pedrada, não prevê susto, e como não o assusto continua parado, olhando. Até que, por livre arbítrio, se intromete na galhada do quintal ao lado, desce e desaparece, talvez lendo meus pensamentos.
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17 04 99
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