VI 10

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O sol sobe lá por trás mas ainda não bate aqui. Quando eu tusso ela me olha e volta ao trabalho: é uma mulher lá dos seus 30 anos, usa calças e boné cinzas e uma camisa de mangas compridas, de tecido mais grosso que fino, verde, um verde vivo na verdade mais do que qualquer folha à vista. Varre as duas esquinas da área de bambus, daí a pouco chega uma amiga (ou só colega de trabalho) trazendo um carro-cesto-com-rodas em que põem os restos (os rastos) deixados pelas pessoas e várias folhas mortas. Ambas comentam não sei o quê que faz a segunda abrir um sorriso. Quando varrem levanta um pó que as cerca nas pernas no mínimo até os joelhos. No bolso direito do camisão verde da primeira, ela leva um embrulho ou alguma coisa do gênero – parece enrolado naquele tipo marrom de papel (kraft) ou, o que é menos provável, um punhado socado das folhas.
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27 07 98
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