VI 18

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Um frio fechado, um céu chapado ameaçando pingos. Tudo parece tranquilo ou não sei se sou só eu. Pessoas de bicicleta, jovens com roupa não-de-parque talvez vindo das exposições no MAM ou na antiga prefeitura, um homem com um afghan muito claro de boca e pontas de orelha pretas, um homem e uma menina patinando juntos de mãos dadas, dois homens e uma mulher o do meio com a camisa do Vasco segurando a coleira preta (esticada e oblíqua como a faixa branca da camisa) de um beagle apressado, carros de polícia passam em marcha lenta bem lenta e voltam, duas mulheres caminhando maciamente a da direita com a mão direita no apoio de um carrinho de bebê – que roda levando um, todo vestido de vermelho vivo, inclusive o capuz –, um menininho de gorro marrom na sua bicicleta parada fala piiiiii!, outros cachorros, outros filhos, de skate ou à solta, outros grupos de bicicleta, um pai fumando, sons ao longe do parquinho e de três peladas (de futebol) me cercando como um triângulo, o vendedor de coisas numa caixa de isopor na esquina parece chegar ao fim e vai embora, um cheiro de percevejo, a meninazinha vem vestida de vermelho (com tiara vermelha) acompanhada pelo pai ao lado da mãe, teoricamente um bruta tédio, mas apenas tudo prosaico (encantadoramente?). Os pingos passaram da ameaça ao assalto, depois desistiram.
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28 08 98
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