VI 20

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Abdico do banco, a vista hoje é ambulante. Bicicletas, pessoas, cachorros, nada de novo debaixo do sol. Que sol? O inverno teimoso se estende sobre a coitada primavera, o céu é uma casca (ainda assim colunas de luz fendem as nuvens, mas só de vez em quando e ao que parece cada vez menos). O que de relatável? Um boxer com sua dona senta no banco em que a dona senta e tem uma cara engraçada: quando fecha a boca, o dente inferior esquerdo fica de fora. As pessoas não parecem tantas; além do feriado esvaziando um pouco a cidade, elas se repetem conforme as voltas que damos, vamos nos reconhecendo ao nos depararmos (as pessoas inextrincáveis, ou meu olhar obtuso). Uma mulher bonita vestida de preto anda com seu filho ou sobrinho ou sabe-se lá, olha para ele e sorri; as pessoas ao passarem sorrimos; ele tem uns 2 anos, uns 40 cm; usa boné; apenas anda e o andar é um acontecimento; sereno, tranquilo, neutro – anda. Duas vans cheias de japoneses, na maioria crianças. Palcos se preparando para shows. Quando o sol sai o verde tem um tom fantástico. (Contrariando as previsões, as colunas se alargam.)
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10 10 98
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