VI 21

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Que quanta gente! Segunda-feira de feriado, dia das crianças e de Nossa Senhora Aparecida, helicópteros, balões coloridos, patins, vendedores de algodões-doces, cata-ventos, comidas, brinquedos, o dia encoberto mas claro (as nuvens devem ser mais finas do que aparentam), pra variar muitos cachorros, presos e soltos, (nenhum gato, nenhum rato – provavelmente muitos no subsolo), música em alto-falantes, apresentação num palco, malabarismo no alto de uma trave, artes, filas pra pegar não sei quê, polícia, grávidas, grupos, casais, pessoas sozinhas, os ciclistas sofrem e preocupam em tanto atravanco, e, é claro, muitas crianças (uma, um menino numa minibicicleta, caiu com ela de chapa numa poça). Brasileiro é engraçado. Indefinidamente infinidade de tipos. Uma sensação de estar no mundo, não em São Paulo, não num parque. O Brasil é uma grande Nova York. (Como se ela não fosse grande. Ao lado do Brasil é pequena.) Só que pobre. (e rico) – é preciso reiterar assim entre parênteses. Muito. (?) – é preciso duvidar assim igualmente. Os morenos, os baixos, os magros, os brancos, os muito rosas, os pretos, os cabelos compridos, curtos, enroscados, os barrigudos, as barbas, as carecas, os ruivos, os judaicos, os aturcaiados, os mulatos, a mulata, os guizos, as multiplurirreligiões, as crianças cosmopolitas e Nossa Senhora, passam em movimento.
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12 10 98
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