VI 23

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O caminho dos bambus parece um túnel, a receber alguém, a qualquer hora a despejar alguém; ninguém passa, não vai nem vem por ele; só uns ou outros pela pista, cruzam a sua entrada. Tranquilidade. O dia de nuvens mas muito sol.
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Pássaros gralham. Um casal de namorados conversa no banco e mesa a oeste, na direção do parquinho. Quando trios ou duplas passam, conversam qualquer coisa; não distingo as palavras direito, nem quero. Um som de avião. Os carros ao longe, uma sirene, outra. Outro som de avião.
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O casal se abraça, um gari colhe folhas, um menino é bem empurrado no balanço lá à distância, risca os 180º de uma meia-lua que quase roça a grama.
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O sol está bem a leste (este leste do banco, em relação ao túnel, à pista, à minha cabeça sobre ele). A sombra de uma árvore se projeta até o pé da outra, as duas se unem – assim imaginariamente, por essa sutil ausência (da luz dentro da sombra). [quero dizer essa sutil presença da luz dentro da sombra]
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Uma chuva de ciclistas passa agora.
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22 10 98
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