VI 27

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Domingo sem banco, me planto na Paz para assistir ao Oscar Peterson. Quarteto, jazz, baixo, guitarra, bateria e piano. Não sei quantas centenas, as pessoas se aglomeram, sentam, escutam, se deixam levar pelo palco, a arte ainda interessa. Sol lascado, os fiapos de umas nuvens amenizam. Como o aspecto dos lugares muda com as pessoas; a praça antes verde agora cheia de pontos coloridos. Passa um vendedor de bolhas de sabão, nos envolve uma onda delas, estourando; uma vendedora também, tentando inventar moda – água refri, água refri, água refri... Depois da minha corrida para um lado e da andança deles por outro, eu e meus pais íamos nos encontrar ali – não nos encontramos. Vou ao entroncamento dos bambus por onde sempre entramos e lá estão os dois sentados no meu banco (que ninguém sabe que é meu) olhando a paisagem de que cada relato faz posse. Na velha pista de vestígios, passeatas de indivíduos, procissões para todos os lados, bicicletas-cachorros-etc. se entrelaçando. À saída uma filhinha comenta bem alto com a mãe, olha, um cachorro de boné, olha, aí atrás, sem nenhum receio adulto (receio de adulto) em falar alto, e a mãe e a dona do cachorro de boné sorriem.

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8 11 98
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