VI 3


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Uma dupla de homens. Ambos lá pela casa dos 40. Passam rápido, a meio-trote, e as características com eles. Os dois de calção e o mais baixo sem camisa (está frio e nublado, choveu à noite, o chão molhado, tudo úmido – o ar fresco-agradável). O menor – estatura mediana – tem um bigode esquisitamente (compactamente) cinza; o cabelo é grisalho, de longe uma peruca clara de bombril; no pescoço um colar dourado com o pingente (cruz ou o que seja) lançado pra trás, pra, imagino, não bater na cara enquanto trota. O grandalhão, de camisa e quadril alargado, não tem bigode nem nada de mais; um cabelo preto nem curto nem longo, normal. Os dois falam, entrecortando frases curtas entre as respirações bem mais curtas que as frases. Distingo um “e tem a subidinha... e tem a subidinha...” e não distingo mais nada. O calção do grandão é verde, aquele verde azulado que acaba se discutindo se é um verde azul ou um azul verde; calção não: bermuda.
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(Do meu camarote vejo o trânsito das pessoas crescendo conforme a manhã avança; muita gente agora nos dois sentidos, vários me olham (achando esquisito?). Brotam vários “relatáveis” como pedindo um vestígio, ao contrário do tempo em que o bigodudo e o grandalhão passaram, mas seguro o relato só nos dois mesmo, ainda que tenham sido meio desenxabidos. Fico esperando que reapareçam, tendo dado a volta; não dão.)
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2 04 98
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