VI 39

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O sol teve o aval dos guardiães de uma vez. Pelo menos falando sentimentalmente “há muito tempo” não se via o azul assim, por inteiro.
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.......... Mas isso não foi impressão de agora, foi de de manhã e fora daqui, não no parque. Agora o azul já não dura, a frota das nuvens volta à sua lenta rota, coágulos de fantasmas – pode não ser lá metáfora decente, mas fica.
.......... Dois rapazes passam lado a lado patinando, os dois de boné preto, têm uma leveza surpreendente. Por outro lado, esses dois imediatamente em seguida, têm peso: ela é uma senhora de chapéu azul de pano fino, ele um senhor de boné também azul, cada um leva (é levado) por um cachorro em grande coleira dessas que encolhe/estica; uma netinha (?) os segue – de patins como os rapazes – olhando para onde o casal aponta ou às coisas que comentam. Os dois leves de boné passaram há muito, esses três ainda estão à vista enquanto escrevo – contudo cruzando o mesmo caminho, mesma direção.
.......... Não vou poder escrever muito, me encontro de repente à boca de um compromisso apressado. Bernardo Soares, o verde das árvores não é velho. Agoraqui pelo menos. Passa a sombra de um avião como nunca. Enlanguescendo as cores, espreguiçando.

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28 12 98
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