VI 4


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Cada andar é uma digital. O desse garoto é espigado, tranquilo, com um gingado lateral como uma sutil serpente em pé. Usa um boné azul-escuro, eu acho (já sumiu), com alguma parte mais branca ou mais clara (a aba ou alguma palavra na frente). Camisa também de azul escuro, mangas curtas, uma faixa branca de manga a manga passando pelos ombros e costas contornando o pescoço. Tênis brancos, sujos de uso, meias acho que cinza. Uma bermuda de jeans claro cobrindo os joelhos. No seu leve serpenteio, na sua calma, passa uma espécie de nobreza, inconsciente dele, talvez por isso mesmo nobre. À mão esquerda levava um skate com as rodas viradas pra cá, do qual maiores detalhes, aqui, desapareceram. (Deixou cair no chão, pôs um pé em cima e foi-se embora correndo na tábua.) [Acho que não volta, deve estar do outro lado do parque a uma hora dessas, fora que esse banco está gelado à beça, vou embora.]
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31 05 98
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