VI 7

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Muitas bicicletas, patins, as pessoas passam rápido e pela rua dos bambus não vão nem vêm muito, a grande maioria trançando aqui à frente, como mil daqueles alvos de parque de diversão. Demora a aparecer o candidato... (...) Ele é um senhor que chama atenção pelo ritmo contrário. Vem lentamente empurrando sua bicicleta rosa, à sua esquerda, com as duas mãos no guidom. É magro, calças azuis muito escuras, folgadas, óculos de formato retangular e prateados, sapatos pretos de sola baixa, aparentemente confortáveis. Uns 55 anos? Usa uma malha com estampas horizontais marrons e beges, um boné cinza bem claro por baixo do qual o cabelo grisalho foge se espichando. Não é só o ritmo inusitado: seu percurso zanza as linhas retas dos outros – veio da direita pela calçada, me olhou de relance, parou à esquerda ainda na calçada, sentou-se ao volante, me olhou de relance (mais tempo), ficou olhando pra todos, continuou, cruzando a pista à direita em diagonal, no caminho um menino (neto, conhecido...) trouxe uma mala azul e lhe deu, pendurou no punho direito do volante, o menino se foi, ele continuou à esquerda subindo à calçada de lá e seguindo ainda lento e empurrando a bicicleta; o menino voltou a interceder e a se afastar, sumiram lá bem pro oeste (da minha visão). Antes de ter aparecido, reparava em como os sons se avivam quando as pessoas ou uma delas é focada (isso especialmente depois que o choro de um bebê carregado por uma mulher sobressaiu do monte de gente como um aquecimento em visão infravermelha) – mas engraçado que o senhor era particularmente silencioso, mesmo quando com o menino, como se de propósito as ondas deles se anulassem aos meus áudios secretos.
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18 07 98
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