VI 8


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+ ou - 7h... Manhã escura, quase chuvosa e o jacarandá volta a chorar, mas só um pouquinho. Passa uma senhora, cabelos provavelmente tingidos, cortados curtos como um trapézio invertido, de topete. Anda em linha reta, objetiva mas muito maciamente. A calça parece ser de moletom, cinza, mas o resto parece mais social do que de-parque: dois sapatinhos pretos de salto baixo, uma camisa preta elegante, um lenço ou echarpe estampada por trás do pescoço e sobre o peito, e a mão esquerda encosta no corpo uma bolsa também preta com seu fecho dourado tendo as alças sobre o ombro. Me pergunto o que faz aqui, não parece passear (o olhar é baixo, pensando em sabe-se lá o quê, talvez em algo objetivo e macio como seu andar), parece usar o parque como travessia de um ponto a outro, instrumento de destino.
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(Hoje são tantos relatáveis... Mas mantenho a religião de apenas um por dia.)
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(Deus, como é que eu não vi, não é jacarandá nada: é um ipê! um ipê-roxo em sua plena florada de inverno.)
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24 07 98
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