VP 12

.
.
.
(B) ..... Diz-se de uma conjunção entre alguns planetas cujo ápice é hoje, astrólogos supõem mudanças na Terra, não se sabe se benéficas não se sabe se pra mal, astrônomos dizem: bobagem. A praça nada sente; ou sim e eu não a vejo sentindo. A luz dos postes já acesas no fim da tarde. O céu aberto em seu tom exclusivo, teto de graça, concha gigante. Algumas pessoas estavam e já partiram; outras, errantes, de um lado a outro, apenas atravessam. Os bancos brancos sem encosto, sem sentados – muito brancos, repintados, repintados há pouco como as muretas dos canteiros redondos, como a base do poste do centro. Um inseto muito vivo – tem duzentos tons de marrom uma coleira em branco antenas pesquisando uma pinta em cada uma uma cauda em preto opaco em meio-losango e meio curva no bico (queria saber o nome com que os cientistas o catalogam) – passeia ativo no meu pé sobre a perna; cheirou minha mão esquerda prendendo o papel, não quis subir, deu as costas; ressona imóvel no tecido da calça, medita, que tantas superfícies têxteis são essas.
.
*
.(G) ..... A praça nave espacial postada em sua base ovalar de ponto a ponto circundada pelos carros, estacionados e tentando andar. (Um amarelo da polícia de trânsito liga e desliga sua sirene sideral e se infiltra por um corredor recém-inaugurado e se inaugurando entre o dos que andam e dos parados.) Aqui no alto das ruínas maias talvez haja o guidom (da nave espacial) e seus botões e painéis e indicadores de navegação. Os holofotes brancos iluminam o topo daquele prédio com um anúncio que não se lê muito bem. A nave traz no seu bojo as palmeiras – radares – equilibrando a posição, como no extremo oposto aquele garoto deslizando em silêncio o seu skate, manequim em vitrine móvel. Ao vir pra cá eu vira a Lua só um risco, chifre luminoso apontando o nordeste, agora não vejo – prédios. O garoto arrasta uns 2 m de ferro pondo a ponta sobre uma laje, parece que quer um obstáculo. Os carros. Os carros. Todas as lojas a plenos vapores e os apartamentos se acendendo. O azul de São Paulo às vezes nunca é totalmente pleno. O garoto se prepara e conduz seu veículo ao obstáculo. Vai longe, volta, aperfeiçoa o trilho, se reprepara. Desliza. Como o avião que cruzou num arco – como os helicópteros que cruzaram um no alto outro embaixo quando eu vinha no caminho da ida e agora também não vejo, como o semiarco nordestino que com certeza está atrás do prédio e eu só vou saber daqui a pouco se está subindo ou descendo. (Eu aqui dizendo asneiras e é hora de voltar. Olh'o sol caindo que nem bola de futebol incandescente de tanto chute e que afinal perde a força... – Pedro Nava, O Bicho Urucutum)
.
5 05 00
.
.

Nenhum comentário: