VP 17

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(D) ..... O sol luminoso no ar silencioso. Azul e claro. Lá fora – supondo a praça ser uma redoma de verde – lá fora os carros passam muito e muito juntos em mais uma corrida de sexta-feira. Aqui dentro... aqui dentro aqueles dez passarinhos ciscam no sopé do bosque de umas vinte árvores admiravelmente bonitas – nenhuma folha, galhos muitos galhos secos ramificados, muitas flores vermelhas neles. Serão flamboyants? Não, não são flamboyants, eu não sei. Na lente dos óculos escuro-arroxeados o sol incandesce uma bola vermelha de reflexo; conforme eu olho posso a pôr sobre o pinheiro, a bola ora no meio, ora no topo, ora num dos cantos, sempre uma bola só num Natal de enfeite sozinho, o vermelho não incendeia o pinheiro, mais parece um quadro, meio figurativo meio fantástico, pedaço de Chagall ao vivo. Passa um helicóptero. Quase para um momento. Deve analisar o trânsito embaixo. Um rapaz brincava com seu cachorro solto, preto brilhante, jovem, de coleira de prata, o rapaz jogava a bola de tênis e o outro corria e voltava abocanhando; chegou um outro com uma cadela na coleira, jovem, malhada e peluda como um spring spaniel, os quatro se aproximaram e agora os cachorros brincam. Os outros dois, sentados, conversam. O “cachorro preto” é uma cadela também. Pulam, se enroscam, rebolam, ora cai uma ora a outra no chão; as línguas (vermelhas) balançando. Vermelhas como o neon flores da floricultura já aceso no dia aberto. Passa com estrépito um carro dos bombeiros e tinindo também o seu ruge corta ao meio a visão entre a praça e as flores. Parece que hoje é feito para ser gotejado aqui e ali de vermelhitude. Uma senhora veio, sentou a uns dez metros no comprido banco branco em que me sento, carrega uma sacola lilás e a malha verde e a saia laranja (verde claro e laranja barro), assistiu calmamente às cadelas se divertindo, agora anda, vai embora.
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28 07 00
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