VP 31

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(nem C nem D e E, entre as ruas Surubim, Taperoá, Dr. Geraldo Campos Moreira e mais outra sem nome – ou a J) ..... Meio-dia de injetar luz em galeria sub-subterrânea. Aqui não tem banco nem tenda nem palhoça, mas tem várias árvores, o que é sempre melhor ainda. Plana, quase quadrada como tantas, a praça tem um X de asfalto branco que a cruza, fino, só para passagem, algumas pedras estão dispostas, algumas com um canteiro de plantas, aquele ali à frente sem pedras, alguns são assim, sem pedra e só plantas. De uma das hastes do cimento sai no chão um quadrado, espaço para as bicicletas darem a volta ou quadra inacabada de algum jogo ou pronta de algum outro que desconheço. Duas crianças, cada uma com uma bicicleta pequena, passeiam. A da menina tem uma cesta, vazia, a do menino não tem nada. Como é mesmo aquela frase do Paul Klee...? Quando chegar em casa procuro. As sombras das copas arredondam o verde escuro no tapete tapado de grama. Estou na borda de um (círculo do arredondamento), a grama ainda é úmida, fofa, um limão a uns 30 cm me olha, caído não sei de que copa, não identifico nem um limoeiro. 12 garotos e rapazes amarraram uma rede de vôlei entre dois troncos e jogam; 3 contra 3, 6 esperam, num vai jogá mar não? soou a voz de um para um outro uma hora. Entre umas cinco copas que se misturam se divisa a de um flamboyant (vermelha) cujo tronco sai de trás do muro de uma das casas vizinhas, ali, aquela do quarteirão entre a praça e o intenso movimento da avenida, a Marginal que não para apesar do domingo. Vários prédios margeiam a praça, mas também e vá saber até quando várias casas, pelo menos em dois dos seus lados. (Um dos garotos dá uma cortada: táh!) Tem bancos também, dois, mas não são bem de dentro, ficam nas pontas de uma das bordas e servem aos dois pontos de táxi que com seus taxistas devem servir muito a essa redondeza com seus edifícios. Duas garotas chegaram e numa outra sombra jogam um outro vôlei, sem rede, sozinhas. O som de uma caçamba passando num buraco na avenida. O pontilhado rubr'intenso dos hibiscos. Aquela violeta ou azaleia ou não sei o que é isso da jardineira do prédio. Daqui se vê o arco daquele terraço moderno, de baixo, duas fileiras de reflexos, quadrados e iluminados, na curva interna. Folhas secas, claras e de vários tamanhos, flutuando sobre a grama, inclusive muitas ao redor de mim, aqui onde sentado quase flutuo. Se se continuar olhando será que tem fim o que escrever? Aquela casa não é bem casa: nela moram carros velhos, ferro-velho em que os veículos socados lado a lado e amassados olham por trás da grade. Borboletas – uma voando, outra era pequena e estava aqui no chão há pouco. O azul é uma mão; estendida talvez faça uma leve pressão quando a gente o olha assim, a palma no alto de todos os lados. Como disse é domingo... e é bom poder ir à feira e na sua ponta tomar um caldo de cana e sair andando, andando nas ruas menos afoitas, andando aqui entre as sombras pela luz tão bem delineada, é bom vir aqui, ver, escrever. Vir. Ver. Escrever. Mas acabou.
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3 12 00
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* A frase é: “Ah, forte demais é o sol que me ilumina!” (Diários; 111-III)
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