VP 34

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(F) ..... Frio quem diria. Na última semana choveu todo dia, ontem caiu a temperatura e úmida, hoje menos, o sol sai entre as brechas, ilumina essa luz fina parecendo poalha, agora mais ainda, as brechas são grandes lagos, azuis altos, o fim da tarde claro ainda tem o sol a meio palmo dos prédios mais próximos. Estou com os pés dentro da piscina, secos: ela continua vazia e pichada, pequenos galhos na beirada, manchas de terra. Mulheres passam com sacolas, crianças com bola e bicicletas, um coco foi abandonado, provavelmente vazio, no extremo oposto da borda e não me olha, totalmente cego, fechado, obtuso enquanto o vejo. O taco-toc dos saltos de uma outra mulher com sacolas, acende um cigarro enquanto carrega e repercute. O rasgo das motos, dos carros, de uma sirene de emergência – ao que parece passa na Berrini e o trânsito é pesado, ou já chegou no olho do acidente e ainda promove o escândalo. O sol não me atinge de frente; atinge aquela palmeira de corpo inteiro, acesa integralmente saída da terra e da grama do minimorro. O sol desenha a minha sombra e a de dois troncos com parte das copas no fundo dos azulejos; são azuis, azul-piscina, talvez todas as sombras sejam azul-escuras. A menina na bicicleta quer demonstrar uma derrapada, diz a um dos meninos com a bola: Fernando, fica olhando. Não sei se ele vê, eu não olho, nem ouvi nenhum pneu parado e ainda se movendo. Escrevia, levanto a cabeça de vez em quando: os dois jogam o futebol dentro da piscina, às vezes a minha perna imóvel sem querer rebate; uma mulher com um cachorro; a mulher que acompanha os meninos borda à beira do banco, os chinelos fora dos pés ao lado; a primeira sombra atinge a praça; dois homens, um deles também ensacolado; o restaurante aberto, o LANCHES funcionando; a grade da banca foi abaixada, um homem segura uma mulher passa a chave; helicóptero barulhento; a bulha dos cruzamentos (em duas das quatro pontas são movimentados); mais duas mulheres, sacolas; a babá borda, sorri para os meninos; helicópteros, helicópteros; do corredor entre aqueles dois prédios o sol ainda varre um pouco os ladrilhos e alcança a placa daqueles bancos brilhando nítido daqui desse ângulo. A voz do menino, indefinível; as flores amarelo vivo daquela única planta, quase laranja; outros cachorros, as mais mulheres passando, a Terra no seu jeito de dizer me inclino torceu de um modo novo o sol que ele a princípio chega anticientífico pela esquerda: a incidência encontra aquele prédio da avenida que espelhado a reflete dividida e ela inventa uma nova entrada para a praça. As palavras não são as mesmas... mas que sensação é essa?
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19 12 00
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* A menina largou a bicicleta e com os dois meninos brincam com o coco.
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* Mais tarde não na praça mas ao que indica também sobre ela aliás exatamente em cima dela: uma renda de nuvens imóvel, cor-de-rosa, iluminada ao vivo, vívida, de baixo. E mais tarde: azul límpido (será repetitivo dizer isso?) azul límpido, límpido, e a rede de uma copa verde escuro, muito escuro, verde, lindamente, escuro, rendando.
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