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(Villa-Lobos) ..... A ideia chegou a ser um Vestígios do Villa, 42 só do parque. Mas isso foi há muito, há muito deixou de ser, é um parque mais longe, não viria muito àqui, ficou para quem sabe um vestígio em um dia e o quem sabe é hoje. Cuja vaga no calendário é de um feriado além de ser em meio a um mês de férias; portanto lotado, é ser humano a torto e a direito, gentes pra tudo que é lado. Pipas, crianças chorando, bolas, cachorros, riso; pais, patinetes, patins, sol de julho, uma moça beija o namorado que a beija enquanto isso e bicicletas. Esse parque me continua com uma sensação de estranhice; desde que o conheço mais ou menos quando foi inaugurado, me dá essa impressão de incompleto, de meio-termo sempre, de planejamento inacabado. E vai ver a terra é ruim: porque as árvores não crescem, ou crescem pouco, ou se sentem desconfortáveis ou incomodando nessa roupa-terra que lhes cedem como uma casa a hóspedes indesejáveis. Exagêro? Pode ser. Mas pode ser que se veja isso sem esforço ao olhar para a cara delas ou de um arbusto em meio a uma moita ou arvoredo tímido. À descida de uma pista de canto há uma construção que está do jeito que desde sempre esteve: um patamar, outro, o de cima sem paredes, escada em esboço, colunas, terra batida em volta, a metros uma grade com tranca o separa, talvez fosse ser um centro cultural ou local de eventos, por ora só é um fosso, nem isso, dentro talvez exista uma parte de baixo ou mais de um andares, mas daqui não dá pra ver. Lanchonetes e quadras de tênis; funcionando; há tempos não havia isso. O campo de futebol maior, com grama e gols, cal marcando; inexplicavelmente fechado. Espalhados aqui e ali aqueles totens de tronco duplo como o da praça E, é provável que da mesma escultora, Elisa Bracher – é provável que com iguais permissões do IBAMA? As áreas de pista e asfalto, as áreas de grama e árvores, as valetas entre. As áreas de estacionamento – hoje todas estacionando (quase completamente). Naquelas (de grama) ainda existem como desde a primeira vez vi as passagens dos Morlocks, aqueles habitantes d'A Máquina do Tempo, trata-se dessas molduras redondas querendo se passar por canteiros mas não enganam ninguém que trate de imaginar os subterrâneos. Uma coisa boa, melhor que as melhores: nesse parque o céu é grande; maior que nos outros; seja pela baixeza das árvores, seja pela extensão do chão de concreto da entrada, seja pela certa ausência de altura das construções em volta, inclusive um dos lados é margem da Marginal que margeia o Pinheiros. A cidade à distância: os picos do Jaraguá, a subida da Vila Madalena; as torres da Paulista, uma favela de tijolos no morro do outro lado da correnteza do rio que já quase não anda. A cidade à distância (não obstante se está dentro dela). As pipas, pais, risos de crianças, gane cachorro... Bolas. O que será daqui a daqui 10, 20 anos? O céu grande. Poucas nuvens. Muito azul sobre e entre os barulhos, nossos sons aqui de baixo, vozes. Entardece; já já chega a hora dos Morlocks, muitos dos canteiros têm plantas e flores mas talvez isso realmente só seja fachada de tampões por onde eles saem e voltam; mais nenhum vestígio ou análise ou descrição de gente e seus gestos e relações em ação: são muitas, são muitos – e mesmo porque quando escrevo já não estou aí, lá, é o dia seguinte à data que aí vai, escrevo em memória, ou rememória, rememorio, revivo ...aquelas pessoas em aquelas relações despencam-despencamos no pó do tempo que dá a liga e despenca em todas as tardes-ontem outonais ou não.
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9 07 01
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