VV 2

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(de casa) .... 447, São Paulo. Acordo com uns fogos a princípio tímidos, depois saraivam, cachoeira de ruídos no céu invisível, metralha.
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Do vizinho da frente (fc) – ou será do à direita, mas a quantidade de carros parados parece mesmo acusar a frente – vem se desfazendo ao longe um canto de parabéns-pra-você, a pessoa nasceu no mesmo dia que o da cidade ou então personificaram-na em alguém (e com ela São Paulo na sala cantam em volta, veem-na rindo, com cuidado para que as quase 4 centenas e meia de velas não incendeiem, lhe oferecem o bolo, comemoram). As vozes e as notas chegam da rua, atravessam a queda da chuva, fina, que as amortece (é a única outra música que com elas se soma), acompanha, quase faz com que se extraviem e as desfaz, como já disse.
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Os espaços da casa. Cada cômodo cheio do ar do feriado. Anoitece.
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Talvez a cidade encare séria a luz das velas enquanto a ingenuidade dos convivas sorri e aplaude esperando o sopro.
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O ar se limpa? A chuva cai sorrateiramente, quase furtivamente, ininterruptamente. Umedece os aniversários; nina os seus fins.
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25 01 01
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