VV 29

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.(K?) ..... Essa é entre as ruas Inhambu e Juruema, tem a forma de um barrete, mas sim, barrete pode ter várias formas, então tem a de um ovo, cortado ao meio e ela é um dos bicos, nem um nem outro porque nem tão pontuda nem tão com bojo, é como uma interposição, uma entreposição de ambos, os dois ao mesmo tempo, pronto. Árvores, ali naquela depuseram um prato de xaxim duplo talvez para comida e bebida das aves, pelo menos é o que uma faz (bebe) no de cima, ali aqueles tocos (3... 4) no barro ao redor daquela árvore com copa em cúpula, ali e aqui os bancos (5) naquele uma mulher de calça azul dorme, azul-céu-azul em destaque sobre o verde, verde que é verdes na área da cidade a mesclarem-se com o dia que é um desses brancos, branco e verdes a destacarem o azul das pernas que se entrecruzam. Casas, nas margens; só casas; sitiam e olham a área a que estão viradas. Um homem chegou com uma sacola e se deitou sob aquela outra árvore; outro chegou com três cachorros e passeiam. Aqui, mais ou menos no meio, existe aquele poste; alto, com as quatro pétalas de lâmpada na florescência metálica da ponta. À certa altura dele uma placa, à certa altura do galho dessa árvore à minha direita outra; numa: RECOLHA O COCÔ DO SEU CACHORRO, A PRÓXIMA VÍTIMA PODE SER VOCÊ – noutra: TRAGA SEU CACHORRO PARA PASSEAR, TRAGA TAMBÉM O SAQUINHO PARA RECOLHER O QUE ELE DEIXA PELO CAMINHO. Tudo em maiúsculas mas as palavras saquinho e caminho em mais maiúsculas e em negrito assim como o você da primeira só que seguido de uma exclamação do tamanho de um bonde. O dono dos cachorros se sentou sobre os tocos os cachorros se deitaram, já não estão mais; a mulher está deitada e continua deitada e não morta porque as pernas azuis se moveram um pouco; as casas continuam paradas olhando, aliás mesmo porque essa foi a opção de vida que lhes calhou escolherem. O chão daqui quando não é grama ou mato ou barro, ou raízes, são essas placas retangulares formando faixas em paralelas e ângulos retos que ligam uma calçada a duas pistas de passagem. À minha direita, num dos cantos, podaram os galhos grossos de um grosso tronco e ficou parecendo uma escultura (opinião da minha mãe quando uma vez por aqui passamos e eu concordo, bela escultura). À minha esquerda um trepa-trepa, parece os ferros daquela abóbada-monumento de Hiroshima, só que é em vermelho amarelo e verde, há pouco tinham uma menina e depois um menino nele, agora só tem ar de novo. No extremo do barrete-ovo, entre as ruas e o bico, tem ainda um canteiro, triangulinho gramado e nele uma paineira (é paineira mesmo?) fixada, subindo. Não devia ter vindo hoje. As frases vão duras, cada palavra é um atarraxamento. Me pergunto se outro dia seria melhor, diferente com certeza. A praça é pequena, minha visão menor ainda. A audição enxerga os passarinhos, o cachorro de repente feroz por trás de um dos muros, avião, os carros. A audição não enxerga mais muito (o raspar mútuo das pontas ventando do mato?). A visão sente esse ar (inodoro), sente esse banco (insensível), vê as bitucas de uns cigarros, o palito de um picolé consumido, o corte em rastro da sombra do poste sobre os retângulos porque (olha o espanto) o sol excede o branco e transparece de novo.
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30 11 01
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