VV 37

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(noite) ..... de Natal. Melhor: da véspera de. 24. Árvore a postos, piscam luzes; as bebidas, castanhas, um ponche. Pacotes. Inesperadamente um frio, tremendo dezembro, onde já se viu, tal temperatura em tal tempo. (...) Natal era noite nova de antiguidade. Guimarães Rosa, Presepe – mesma fonte do “aqui e ali não são contrários”, texto que dá gosto reler, principalmente por essa época. E aqui o era cai bem porque a noite já não é hoje, eu sigo nesse parágrafo no dia seguinte, agora é 25. Pacotes, abertos – papéis rasgados e fitas sem laço –, líquidos dentro, castanha ingerida, a árvore continua num novo posto no tempo, o piscar daquelas luzes viaja ainda a que espaço. Outra: Natal era animação para surpresas, tintins tilintos, laldas e loas! E continua também: inesperado, frio em dezembro. A bola azul na folha da palmeira fazendo as vezes de pinheiro. A fita dourada no galho – borboleta de ouro? A bola verde com outras duas (verdes) lado a lado sobre o vaso, triângulo de círculos. A chuvinha que neva aqui na gente e se vêm frases que venha essa a mais como a nós mais um presente nosso: Como te chamas pequena chuva inconstante e breve? Não é de Guimarães Rosa, é do poeta Joaquim Cardozo, seu poema: Chuva de Caju. Chamas-te chuva natalina, talvez... Talvez como chamemo-la hoje, assim, agora.
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25 12 01
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