VV 6

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Na calçada ensolarada vem vindo uma mulher que para e erguendo um pouco a perna para erguer a bolsa retira dela isqueiro e um maço do qual um cigarro e o acende com urgência controlada, prática, e muito alívio; a primeira fumaça desce, como um lenço de gaze finíssima, como um chumaço de algodão moído, as fibras muito ralas num movimento leve mas indo a pique. Foi rápido; eu ia indo de frente, aconteceu, está acontecendo, acabou, já passei. (Mais tarde, uma uma/duas horas depois, seguindo a página do que já estava a ler, no acaso me deparei, lá: o personagem gostando de sentir o azul das baforadas. Dão-Lalalão, Guimarães Rosa.) À noite a Lua: a Lua, Lua, talhada ao meio, um pouco inclinada, a sua luz sempre inteira, sua luz, Lua, derramadamente, aberta, no cetim fundo-esticado, também azul, não de fumaça. Naquela praça H o prédio de viga vermelha e escultura tem uma luz alaranjada por trás de um jeito que eu nunca tinha visto: ela se divide em duas faixas (o prédio é a faca) os feixes subindo se cruzam num X a distância mais distante do que pareceria possível, impossível como talvez seja de fato se não fosse esse céu limpo de hoje. A Lua de novo; de novo, o eco da sua luz, oh eco da luz, ressoa: novo, novo, novo, novo... Disso tudo pode-se dizer: (rua).
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4 03 01
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