VV 7

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(E) ..... É noite (é lamba ê é lambaio, é lamba ê é lambaio, é lamba ê é lambaio). Início: ainda é possível aquele laranja, as nuvens violeta se enroscando sobre, tudo muito suave, ...céu de Vermeer? No chão branco, em ladrilhado, a luz branca dos postes projeta sombras, deles mesmos, das palmeiras, das plantas, entrecruzadas, quase sem moldura, contornos diáfanos. A Lua: ali a leste (talvez seja o norte da cidade, ou noroeste) tímida entre prédios tenta afastar as nuvens, sua força não consegue, ou se deixa arrastar entre, a nitidez de sua metade transformando os vapores, sabe o quanto pode, o que não precisa querer, se afasta, reaparece, está enquanto o ar passa, enquanto o céu muda de cores e nele a iluminação dela, inconteste. Quando mal se levanta a cara eis que surge, como surgiu, repentinamente. Essa temperatura pode ser a de uma perfeição no ápice; nem quente, nem fria, não venta muito, nem para; temperatura dessas que limpa o ar, o trazem de uma fonte. Um rapaz de sapatos pretos de ponta fina de couro atravessa a praça ao meio: o couro preto dos sapatos finos tem dois brilhos, que deixam atrás um rastro duplo quando as passadas em pêndulo se revezam; parece incrível que o brilho transposto já é de um pé que não está ali, que aquele pé que lá vai no avanço não é mais de onde estava há agoríssima há pouco. Chega um menino gordo de bicicleta, a bicicleta é de adulto, o menino é gordo mas não tão grande, a sua mãe, gordíssima, segue a pé e o acompanha de longe. Existe uma poça, mais ou menos de uns 2 por 2 m, única ao lado daquele tronco exposta a tudo. O menino vai ávido e a atravessa com as rodas, volta, comenta à mãe animado, ela dá uma bronca frouxa, é, vai e se respinga todo...!, ele vai de novo, de novo e de novo, corta a poça em vários trechos. Uma hora a mãe nem mais está olhando: se a poça fosse um buraco, profundo, o menino sumisse num mergulho implacável? se visse, mergulharia junto? se não visse procuraria até quando, pensaria que fora parar onde? – como se, se visse, soubesse; a sucção de um destino... reconhecível, tampouco. Trânsito, passantes, morta a tarde; na Marginal o ritmo da viagem é de lodo. A Lua em cima ainda discute, não quer ver, se desprende, consegue-não-aparece, embaixo a praça cravada como um jade, um caco, aqui é um ponto sul na Zona Sul de São Paulo. O turbilhão de automóveis e pessoas em movimento ao redor nas cercanias em torno da praça cheia de bancos vazios sobre o solo.
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2 04 01
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