na encosta subversiva

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Não dou uma risada há quanto tempo?, perguntou o marreco à beira da encosta imprevista. Eu não sei, disse o mentecapto, o mentecapto era um bicho indefinível muito amigo, os dois, bem amigos um do outro. Não era aquilo que fazia um ventinho?, tentou ainda o mentecapto. Não, isso é o volteio que faço, pra gente comer aqueles frutos, esses poucos que ainda tem, nossos preciosos frutos, quando eu bato as asas e pulo e pego, lembra? Lembro. Então... era aquele negócio, o movimento, que dava uma agitação violenta, mas tinha assim uma outra agitação por dentro... Não! Isso era quando nos caçavam. Lá embaixo. Puxa, como é que foi que você foi esquecer isso? Eu não sei... eu não sei, é tudo o que eu sei. Mas o que o marreco e o mentecapto não sabiam, era que a encosta, no fundo, não era imprevista, era é quase totalmente imprevisível. E isso incomodava muito. No momento. Não era “bom” ali na beira, a brisa mesmo envenenava. Bem, mas paciência. Os frutos ali estavam. E o riso?.
out.10
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