condenado à vida

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Naquela semana batera o recorde, fizera cinco entregas num só dia, além de outras quinze nos outros. A mania já não era nova; desde há vinte meses. Ao conhecer um livro, um filme, um disco de que gostava, comprava uma cópia e deixava largada num canto como uma bomba. Um banco de ônibus, um vaso sanitário, um chão de cinema, uma grama no parque... Qualquer espaço, aleatório, conforme o seu agora e a chance oportuna. Assim foi a reprodução do Van Dzeid, o Livro das Despedidas, o CD do Lenine. Chegava a comprar dúzia de cópias; através dos dias, dos meses, as depositava nas escalas da andança. O fato é que de dinheiro não era lá essas coisas, mas do que conseguia tirava uma gorda quota, pela qual espalhava as obras no desejo de serem gotas impulsionárias – acreditava.
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01julho98
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