carta a alguém íntimo perdido por aí


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Para se rezar à literatura a que casa há de se ter ido? Para por exemplo à frase, à palavra, ao período. A Igreja Letra? Para se supor um santo, um verbo definido ainda que não definitivo, um hausto, um arado. Para se sentir no direito de sair das entranhas do vácuo e espalhar seu tempero na chapa ardente que chirra. Para poder ver (ou perceber sentindo, o que provavelmente é muito mais do que isso) o espaço por onde o cheiro se espalha. Para gravar... tinta; TINTO – ou diga isso, eu sou verbo. ONDE?, pergunto. ONDE?, a pergunta está no ar, epidêmica, invisível em silêncio. É o Deus... Papel? Tinteiro? É nas sobras do que sempre não houvera para quem quis isso? É nas migalhas... de letras extintas, de desbôtos de borros? É na pronúncia, dessas canetas sem carga? Por exemplo a bailarina; a que templo se dirige. O varredor do Scala, a mulher do circo, a artesã de Campinas, o quadro de Van Gogh, o quadro de Matisse. (Papéis sem uso passam picados num vento grosso de enxofre triste.) Ajoelho. .... (ou de pé) .... Respiro. A reza não se soluciona; pode não se solucionar mas tem seu lugar cativo quando dela mesma se empina. É o que não dirão as más línguas.
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treze de abril de dois mil e um
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