chão de giletes

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Neste chão de giletes, ando, quando menos espero me ponho em movimento como, meu coração me movimenta, meus órgãos em trabalho, de parto, meu olho; parto. Neste chão de giletes parto, intermitentemente sem fim............ ... ..Quando me vejo estou rindo, divertido de prazer, de lembranças em vagalhões claros, daquela música de dança no salão de festas que eu não curti, na enseada aberta com aquela brisa que eu sabia: vai ser única pelos 2 bilhões de anos além, para o passado e para futuro, rio por aquela sarjeta sobre a qual passei na noite de inverno do fim do ano e a luz do poste tão nítida, nítido levitador, no fundo, pela porta aberta para a ventania que só eu vi, pela alma perdida na curva estreita a se reencontrar e não fui só eu a ver porque éramos eu e ela também, a sorrir, os três (eu ela e a curva), pelas bodas de Canã, pela ideia solta de um platônico solitário do séc. I, pela sensação das balas a escorrerem da mão por aquele maternal tropeço ao sair do pré, e o dia de sol e o dia claro da calçada e o portão e isso nunca aconteceu e agora eu invento e é como se eu o revivesse todo ao ser agora inventado, pela sensação, da música, do perfume dos oleandros (embora nesse momento eu não saiba exato o que oleandros sejam nem bem seus perfumes com precisão), pelo nosso sorriso largo; e mais importante que tudo: francos, justos de relaxamento naquele ponto infimíssimo no meio do corpo Eternal. – Mas olham-me de cenho turvo; os olhos são muitos e é como se uma viseira os cobrisse mas não tem viseira são eles mesmos; a alegria não pode, pega mal, o que qu'é isso ó os tempos difíceis, não seja feliz. (como se nem sempre fossem difíceis... – melhor não discutir) A frase escondida porém, escondida que seja: o prazer reverbera, reverbera, está aí... pelas peladas eras... é a liga que ata. Diz-se: “neste chão de giletes” – mas não quer dizer os pés talhando cortes, partindo postas, e mais sangue, e rasga, e o osso, isso depende; são as suas imaginações, leitora, as suas imaginações, leitor, quando se põem a conceber o chão e pulam as lâminas ou pulem as superfícies.
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jul.01
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