condenado à vida

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“Não é que esteja garantido o sucesso – absolutamente – mas é comprovadamente possível o percurso, afinal quando terei sido no topo verei atrás que atenho-me a que serão de degraus; degraus aos quais um a um se sobe. Os dez primeiros são nos quais, como indicado, onde se percorrem os vazios, a cada lanço redefinidos no mote, no estilo, no traço – aquele quinto, por exemplo, tivera só o retângulo de concreto, deitado sobre dois apoios, quando se repetiria no segundo. À segunda parte, do 11o. ao 20o. , encontrar-se-á toda a gama das floradas, desde o seu terceiro piso, onde se proliferam as pequenas avencas incessantes despencando dos brotos, até seis acima, quando a capa das castanhas há muito se racharam e reaparecerão no piso acima do terceiro, quando ressequidas de novo pelo uso. 21o. a 30o. é onde reside a bravura líquida, no quarto piso que lhe pertence por exemplo destaca-se seu porte ocupado de cima a baixo pelos tons de verde translúcidos, por sua vez recebendo as ramificações do encanamento escorrendo do térreo (térreo em relação ao seu conjunto de 10, está claro) quando previamente se lhe atravessa no futuro. Quando ocupam-se, um a um nos andares, do 31o. ao 40o. os obstáculos de metal para-percorridos. Quando do 41 ao 50 concretizam-se logo onde por eles se passam os pré-percorridos fogos com seu leque sutil de densidades. Quando o labirinto de paisagens se estendeu pelos cômodos do 51 ao 60, percorridos assim que lhes permitem os dez de cima. Os dez de cima serão os animais os seres os bichos mais imagináveis, graduando-nos as possibilidades, os que fazem da lua uivo, o que fará do mar cachalote, aquele que nos fez na imensidão do pântano; até subir-se-á nos 71o. a 80o. onde as escolhas, a planificação dos projetos e todos os objetos feitos por artifício se interpõem e entulharam-se na sucessão de andares dos seguintes corredores; até a passagem da penúltima dezena em que emendam-se a proliferação de ideias, carrosséis cortados sem deixar espaço nem quando, onde quando passei no 85o. me pareceu tão fácil, onde desde o começo passaremos tão difícil, onde de lá se chega a agora sim a última dezena, os dez andares de ares que logo inspiram leveza mas são vendavais maremotos olhos enfuracãocidos e os cúmulos são cubos verdadeiros e há no 99o. se não me engano a sala dos granizos de oxigênio puro. O 100o. bem poderia ser uma nova fração de dez, ou talvez seja, mas sendo em si é uma só, compacta, aberta: no 100o. será o topo. Finalmente cheguei ao alto, onde só poderei estar quando passo pelos de baixo todos, onde por exemplo o 12o. que atravessarei desbravando ou se deus quiser o 27o. em que nado estacionam-se pelo suplício de acessos, pelo arrombo dos aparentes ócios, pelos atritos gastos nos corrimões entre os pisos, lá na cobertura (, quem se refere de qualquer deslocamento), lá do precipício firme do 100o., quando haverá a ou quando houve o, onde há.” Então este texto encontraste enquanto ele caía ao passares pela rua; então me entregaste antes de continuares a ir à entrada do teu prédio; então eu o transcrevo – para onde?, perguntarias, ele mesmo se responde, tu mesmo dirias assim que te penso – transcrevo-o antes de eu mesmo ir, ali, lá, à entrada do meu prédio para transpor-me.
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18outubro99
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