condenado à vida

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“Centro de gravidade absoluta” – copiara a frase e como um raio sentia o pensamento: o que é preciso mais? poderia acabar aqui, aí está tudo, o que me cabia, a mim... fazer mais nada. Como da outra vez, já soubera do que precisava para que a morte o colhesse: concluir os seus deveres, pronto. Fez a lista mais contundente possível e ia riscando a tinta vermelha e régua: criou seu filho, deu o número suficiente de palestras em todos os países, quitou os boletos e cada item de financiamentos, esclareceu-se com seus íntimos, exauriu suas ânsias, as ânsias de alma ligadas a sua consciência de humano. Sentiu-se limpo. Sentiu-se resolvido. E no entanto (o coração ainda o escandalizando – a in da vi vo-a in da vi vo-a in da vi vo-a...) viu-se no centro do seu estabelecimento, todo amplo, paredes devassáveis ao extremo dos campos circulares de que seu dia-a-dia imperativamente era feito. Ainda vivo. Copiara a frase e, amanuense, continuaria a transcrever ainda muitas mais.
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16dezembro98
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