coração selvagem

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Eu te amo
e por assim ser
amando
nunca te matar
nem pensar
em te adormecer
à base da dor
te pôr pra dormir
num veneno pesado
suprir tua alma
extirpar teu escalpo
e almoçar com os índios
teu corpo sedento
de afetações e covas
da pele limpa
raspar o prato
o resto de pus
que te compôs
desde o nascimento
nunca nunca, coração
proliferar no pulmão
o litro de óleo trazido no bolso
a ferver
a querer
mais um tranco
dos cavalos que te atam
e romper
rasgada em postas
sobreposta em bois
na estação próxima
deste matadouro gelado
reter
teu sorriso esgarçado
e chacoalhar
na coqueteleira
saltando de volta
no rosto já cheio
de outros sorrisos
de caras a renovar
esta chama seca
que compõe teus olhos
ameaçando o nada
imagina o tudo
e te virar cinza
na pira
e te aquecer de teias
do hospício
e nem isso
te roubar um doce
te empurrar ao parapeito
do gigante prédio
e invadindo teu corpo
depositar a bomba
que te exploda mais que a explosão
que te estraçalha mais
do que o além-teu-corpo estraçalhava
do que o por-trás-da-máscara escancara
ou melhor a própria máscara maltrata
e não despe, nunca, meu amor, esta vergonha
que não sentes
te afogar
com ar
pra durar o máximo.
Porque te amo.
Porque te amo nunca te fazer mal
e se uma vez vir a voz alta à tona
de repente
esquece
nada houve
não aconteceu
em teu louvor peço perdão, amor
é só perdão e te amo
jamais pisotear
e te aflorar hematomas até uma morte.
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out.91
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Um comentário:

Andressa disse...

Ler isso ouvindo Pink Floyd é muito bom. Avise a quem escreveu que ele é um gênio.

Shine on you crazy diamond!