grato

.
.
Obrigado as luzes, obrigado chão, obrigado carpinteiro, concha, de noz, desvão. Obrigado as enchentes se não matam, se lavam, obrigado o fogo que queima com sofreguidão, no e-qui-lí-brio, obrigado bichos, arara por exemplo, jacu, quatar. Matrinxão. Obrigado o mundo com a mata, folha, verde – ar. Obrigado esta revolta hemorrágica, esta injustiça medonha que dá ganas a ser justiçada, obrigado esta abundante tristeza que gera... (gera mesmo alguma coisa?), obrigado esta podridão impoluta, humana por excelência, obrigado à raiva, sua irmã carmelita ou antecâmara, ambas de uma mesma crença beatas ou arcadas de uma igual arquitetura. Obrigado dias, e sua sempre giganta beleza em disposições no céu, em pores-do-sol, nasceres, manutenções... noturnas e claras. Obrigado a quem, a uma certa direção? Não se sabe bem, não calha que se diga, calha o ser grato e obrigado não é de “obrigação”, obrigado ou agradecido melhor seria? Obrigado e muitos agradecimentos ainda. Agradecer a graça, e ter graça ao agradecê-la. Obrigado a fenda, a fenda da chave de fenda e obrigado o tempo – re e multipliquexcessivamente o tempo – que não passa, ou melhor, só passa – só passa – e não dá chance à gente de reter uma matéria nova ou melhor transformá-la numa nova coisa, dócil, enigmática mas afável, pelo menos não agora na contemplação da nossa vista ou na disposição do terreno em que a nossa vista alcança. Obrigado, não obstante e assim mesmo, por gentileza.
.
mar.02
.
.
.
.
.

Nenhum comentário: