imágenese

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Uma porta. Simples, ela é marrom; um marrom luzidio, liso, vibrante; à sua esquerda (de quem vê), no lado contrário ao da maçaneta, duas ou três manchas da mesma cor, mais ou menos retangulares, cobrindo também a borda e se excedendo além – como três pinceladas ampliadas, agora três objetos em três dimensões, impressos e pregados uns sobre os outros e na tal área citada. O fundo uma infinita parede amarela. Não se vê a leste, não se vê a oeste, nem o alto, nem o chão – a entrada é como se estivesse acoplada nesse gigante painel de amarelo, um amarelo “saído do forno”, acabado de ser posto, estão lá as grandes camadas verticais de sua massa quase escorrendo. À frente da porta um pequeno patamar quadrado com poucos degraus descendo à direita – um corrimão de ferro fino em arabescos os ladeia, desde o lado esquerdo da porta, sob as manchas, até o fim dos degraus que aliás não se findam ou têm um fim impreciso como se alguma grande borracha os esfregasse deixando o conjunto solto, “acoplado” como já dito, no espaço amarelo. No patamar há um balde, um esfregão, um rodo e/ou espanador... utensílios de depósito; uma pequena despensa ou área de serviço ao ar livre ou passagem para se chegar aonde os guardam. Dentro, se imagina, pode ser o pequeno quartinho sem janelas nem mais nada no qual se depositam os objetos. “A entrada” foi mencionado em relação à porta, no entanto por esta não se entra, ela não está trancada, não está nem totalmente fechada, está encostada e por ela se sai – saímos e à distância agora visualizamos de onde viemos.
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23 março 99
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